sábado, 9 de abril de 2016

VÍDEO MOSTRA COMO É ESTAR NA PELE DE UMA PESSOA COM AUTISMO

O clichê sobre o autismo remete a imagens de crianças agressivas com outras pessoas e com elas mesmas, batendo a cabeça na parede, tampando os ouvidos ou imersas no próprio mundo, alheias a qualquer estímulo externo. Para quem vê de fora, pode ser difícil compreender por que essas pessoas se comportam assim. Mas algumas entidades e grupos de pais e familiares têm tentado banir – ou amenizar – o estigma do diagnóstico.
Uma delas é a National Autistic Society, do Reino Unido, que lançou recentemente um vídeo para que as pessoas entendam mais sobre o que é estar na pele de um autista. A chamada síndrome do espectro autista pode ir das manifestações mais moderadas até as mais severas, mas muitas incluem hipersensibilidade auditiva e visual, o que significa que qualquer som inofensivo lá fora pode representar uma grande perturbação.
O vídeo mostra como o som de uma torneira pingando, por exemplo, ou de cores se encontrando em uma padronagem podem ser desconcertantes para uma pessoa com autismo. A iniciativa faz parte do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado no último dia 2 de abril.

Odara Gallo é mãe de Franco, de 3 anos, diagnosticado com autismo

- Autista? Imagina! Ele não fica no “mundo dele”, é sorridente, interage com a gente!

Essa normalmente é a reação das pessoas diante do diagnóstico do Franco. Com cuidado e compreensão, tentamos explicar que existem vários níveis de autismo e que ele tem muitas das características. A negação rapidamente se transforma em um sentimento de “pode acontecer com qualquer um então!”.
- Como vocês suspeitaram?E vem a pergunta:
Os sinais. Eles apareciam e se confundiam com “coisa de criança”, com “daqui a pouco passa”, com “isso é normal”, com “é o jeitinho dele”, com “isso é inteligência demais”. Todos os traços, leves ou severos, se uniram para se transformar em diagnóstico anos mais tarde.
Franco não atendia sempre que chamávamos, só quando queria. (Concentrado!)
Brincava sozinho e se desinteressava quando tentávamos brincar junto. (Independente!)
Alinhava todos os bonecos, milimetricamente, em vez de fazer de conta que eram personagens. (Organizado!)
Não levava as coisas sozinho à boca. Só comia a papinha que já estava habituado e quando dávamos a ele. (Preguiçoso!)
Sempre foi apegado às rotinas. Não lidava bem quando os rituais diários saíam da ordem. (Puxou o pai!)
Franco vendo TV (confortavelmente?) com 1 ano e meio
Arquivo pessoal/Odara Gallo
Franco vendo TV (confortavelmente?) com 1 ano e meio
Não queria saber de falar. Mais do que isso, não se interessava em comunicação, mostrar o que queria etc. (Menino demora mais pra falar mesmo, né?)
Durante um bom tempo, andava para todo lado com um objeto azul em uma das mãos e vermelho na outra. Se pegava algo azul, corria para procurar algo vermelho. (É...)
Não tocava em nenhum alimento, seco, molhado, fruta, legume. Com dois anos, já sentia vontade de comer algo e superou o asco de tocar no alimento. Em vez de levar à própria boca, matava sua vontade dando para o pai ou a mãe comer. (Hum...)
Usava nossas mãos como instrumento para pegar as coisas que queria e que estavam ao alcance. (...)
Durante todo o processo, passamos pelas fases de preocupação excessiva, expectativa, dúvidas. Começou a falar. As frases eram normalmente repetitivas, sem comunicação funcional, com padrão de ecolalia tardia. (Autismo)
Exagero? Pais de primeira viagem com muito acesso à internet procurando pelo em ovo?
Mesmo com todos os sinais, o que mais me chamava atenção era o olhar. Era diferente. Percebia que Franco não tinha a mesma expressão das outras crianças. Um olhar profundo, sem aquela inocência característica, parecia já saber das coisas e achar tudo aquilo ao redor um saco. Quando não estava sorrindo, parecia não querer estar ali, como se tudo fosse monótono demais.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Por que vestir azul em 2 de abril?

A imagem pode conter: texto

Eu poderia optar pela resposta simples: porque meus filhos são autistas. Mas, vai muito além. 
Sim, meus filhos são autistas, mas nunca sofremos discriminação direta. Ou melhor, apenas uma vez, mas nada que nos marcasse. 
Meus filhos têm uma família maravilhosa que os aceita como são, que não espera uma cura, que os ama independentemente do autismo. Eles têm a sorte de estudar em uma escola pública que não apenas os matriculou, mas que os aceitou, que preparou a todos, merendeiras, porteiro, professores e demais crianças. Isso se chama inclusão. 
Meus filhos vão conosco a todo lugar, desde que se sintam confortáveis. Nunca os escondemos, muito menos negamos seu diagnóstico. Não é por eles apenas, é por todos eles. 
Visto azul no dia 2 por todos os que não tiveram um diagnóstico e tratamento corretos, por aqueles que são escondidos, por aqueles que, infelizmente, ainda causam vergonha à sua família. Visto azul pelos que sofrem calados porque não podem falar. 
Visto azul na esperança de que sejam ouvidos em seus atos, chacoalhar de mãos e gritinhos. Visto azul na esperança de encontrar pessoas que os olhem com curiosidade sim, mas com amor também. Visto azul na esperança de encontrar pessoas que apenas nos deixem chorar de vez em quando, que entendam que estamos exaustos no fim do dia, porque viver em função deles é cansativo. Porém, nada paga a sensação de dever cumprido, de amar incondicionalmente. 
Visto azul na esperança de uma sociedade com mais empatia, que esteja disposta a se colocar em nosso lugar apenas uma vez e, então, nos compreenda. Visto azul na esperança de mais escolas inclusivas. Menos pais e diretores preconceituosos, causando mágoas irreversíveis em famílias que já sofreram tanto. 
Visto azul por mais neuropediatras e terapeutas humanos como os que tratam meus filhos. Visto azul por mais e mais empresas amigas da inclusão, que empregam autistas em seu quadro de funcionários. Visto azul por amor aos meus filhos e a essa causa. E o mais importante, visto azul para dizer para todos os pais de crianças autistas que eles não estão sozinhos. 
E você, vai vestir azul no dia 2 de abril? Mostre que se importa e vem com a gente nessa onda azul.



FONTE:  jornaldesantacatarina.clicrbs.com.br

O que é preciso que os pais avaliem ao escolher uma escola para uma criança autista ter qualidade de ensino, então?

 A psicopedagoga enumera alguns pontos abaixo:
– Às vezes, a escola tem outra linha de trabalho e o educador padroniza o ensino sem pensar nos estudantes com necessidades especiais. Isso aumenta as chances de não dar certo.
– Para alfabetizar e educar alguém com TEA é necessário entender o funcionamento dela, suas alterações no que diz respeito a percepção de mundo, as sensações, os medos e seu desempenho linguístico.
– O modelo mais adequado que facilita o processo de alfabetização é o fônico. Esse método ensina primeiro os sons de cada letra e então constrói a mistura desses sons em conjunto para a pronúncia completa da palavra. Por meio dele, pode-se produzir a consciência fonológica e a criança consegue adquirir compreensão do que ela está lendo.
– Não basta só entregar o livro ao aluno e esperar ele aprender a ler. Por que não? Pois, de acordo com o nível de autismo, o significado da leitura varia muito. Pode representar o mesmo que para uma criança neurotípica, como pode não fazer o menor sentido. Isso acontece porque, geralmente, o autista não consegue compreender o signo linguístico e não entende o que é uma representação da comunicação.
– Mesmo aqueles que apresentam hiperlexia, que é a leitura precoce, é preciso saber que ler não significa compreender. Em muitos casos, apresentam dificuldade na interpretação de texto, pois a leitura é feita mecanicamente.
– É importante trabalhar mais a imaginação do aluno. Por exemplo, sempre que se fizer algum tipo de leitura espontânea, é preciso ajudar o aluno a dar sentido à história.
– É fundamental que se aprenda a construir uma frase e um sentido. Deve-se sempre perguntar sobre o que está entendendo. Uma pessoa que não faz inferência ou uma dedução, não tira uma extração de significado.
Nem todos os Transtornos do Espectro Autista são perceptíveis ao primeiro olhar
Quando se fala de crianças que aprendem a ler precocemente e tem outras habilidades sociais e intelectuais, que aparentam ser de uma criança neurotípica, a forma de lidar muitas vezes se torna ainda mais difícil. Camuflada pela incompreensão dos pais diante dos sintomas da criança que ainda assim causam grandes incômodos e dificuldades para ela e para a comunicação com pais, mas não são tão perceptíveis assim.
Segundo o neuropediatra Dr. Clay Brites, a desinformação faz com que esses pacientes sejam mal interpretados, causando sofrimento deles e também dos responsáveis. Pais e mães devem entender que as particularidades do transtorno são passíveis de condução no cotidiano por meio de estratégias de linguagem e de autodefesa. “É preciso melhorar as condições deles para proporcionar o máximo de autonomia na vida social e escolar e, mais tarde, na faculdade e no trabalho”.
Por esse motivo, o profissional diz que a prevenção está na constante busca de informações corretas e atualizadas. Ele explica que quando parentes e professores estão cientes de tudo o que envolve o TEA, fica mais fácil para resolver possíveis problemas como, por exemplo, no relacionamento em sala de aula e também nas formas de intervenção em casa.
A questão é que poucas pessoas sabem que há diferentes classificações identificadas pela intensidade do autismo, como, por exemplo, leve, moderada e severa. Elas são definidas pelo grau de comprometimento do desenvolvimento neuropsicomotor, das questões adaptativas, nível de dependência e necessidade de intervenções para obter mínima funcionalidade. “Também é preciso levar em conta as comorbidades, ou seja, transtornos adicionais que podem ser apresentados pelo paciente. A proposta da avaliação é sempre para identificar suas dificuldades e buscar meios para ajudá-los”, explica o neuropediatra.
Entre as categorias, há a chamada Síndrome de Asperger. Trata-se de uma condição mais leve dentro do espectro. Nela, o comprometimento poupa, de certa forma, a inteligência e a linguagem. “Eles têm uma maior funcionalidade e mais autonomia para se adaptar aos desafios sociais e acadêmicos quando comparados com outros tipos”.
O neuropediatra relata que mesmo com toda a capacidade intelectual, os “Aspies” (como são chamados no meio) apresentam restrições na forma de falar, de expressar emoções, de entender linguagem subliminar e processos de comunicação que dependem de mecanismos não-verbais, como gestos, expressões faciais e mudanças de tom da voz, com tendência a intelectualização e racionalização de tudo, além de exagerado interesse por determinados assuntos – relata.
Os pacientes com essa síndrome podem ser independentes e levar uma vida normal, como aconteceu e acontece com famosos brilhantes como Einstein, Newton, Bill Gates e até mesmo com o jogador de futebol Messi e o ator Keanu Reeves.
A questão é que eles precisam ser treinados na infância e na adolescência a adquirirem maior destreza nas relações sociais. Dessa forma, eles podem aprender melhor regras, rotinas e meios de comunicação mais compreensíveis para saber compartilhar informações e assumir mais competências para conviver melhor com seus pares. “Por esse motivo, é extremamente necessário que a família estude profundamente todas as características envolvidas no tipo de TEA do filho, além de buscar um diagnóstico correto”, complementa o Dr. Brites.

Entenda o que são os Transtornos do Espectro Autista e a importância da relação entre escola e família


Estima-se hoje que 70 milhões de pessoas tenham autismo, cerca de 1% da população mundial. E todo dia 2 de Abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é lembrado ao redor do mundo, como uma forma de chamar mais atenção para o transtorno do espectro autista (nome “oficial” do autismo), cuja incidência em crianças é mais comum e maior do que a soma dos casos de AIDS, câncer e diabetes juntos. No Brasil estima-se que tenhamos 2 milhões de autistas, mais da metade ainda sem diagnóstico.
E esta falta de conhecimento é justamente um dos maiores problemas que as crianças com TEA enfrentam. Muitos pais não querem assumir o transtorno e não procuram tratamento e acompanhamento clínico. E as escolas não sabem lidar com a forma de falar, de expressar emoções, de entender linguagem subliminar, expressões faciais e mudanças de tom da voz, que a criança autista tem e que muitas vezes causam incompreensão por parte das explicações da professora e das histórias nos livros.
“Por conta disso, a própria alfabetização já se torna um grande desafio. Sem isso, é impossível que se desenvolva a capacidade de ler e entender o mundo em sua volta. No entanto, os problemas começam, principalmente, na falta de habilidade de professores e pedagogos, que não sabem como se processa o pensamento de um autista”, explica a Psicopedagoga, doutora em Psicologia Clínica, Dayse Serra, colaboradora da Neuro Saber.

Novos Critérios Diagnósticos para Transtorno do Espectro do Autismo

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Quando um médico ou psicólogo dão o diagnóstico alguém com autismo, ele ou ela compara o comportamento do indivíduo com os critérios estabelecidos no DSM. Se o comportamento se encaixa na descrição listados no texto, então o indivíduo pode ser diagnosticado com um Transtorno do Espectro do Autismo.

A nova revisão do DSM incluída uma definição diferente de TEA (ASD em inglês). Para ser diagnosticado com TEA, o indivíduo deve ter exibido sintomas que começam na infância precoce, e esses sintomas devem comprometer a capacidade do indivíduo em função da sua vida e do dia-a-dia.

►Os déficits sociais e de comunicação
A fim de receber um diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo, uma pessoa deve ter as três seguintes déficits:

● Problemas de interação social ou emocional alternativo - Isso pode incluir a dificuldade de estabelecer ou manter o vai-e-vem de conversas e interações, a incapacidade de iniciar uma interação, e problemas com a atenção compartilhada ou partilha de emoções e interesses com os outros.
● Graves problemas para manter relações - Isso pode envolver uma completa falta de interesse em outras pessoas, as dificuldades de jogar fingir e se engajar em atividades sociais apropriadas à idade e problemas de adaptação a diferentes expectativas sociais.
● Problemas de comunicação não-verbal - o que pode incluir o contato anormal dos olhos, postura, expressões faciais, tom de voz e gestos, bem como a incapacidade de entender esses sinais não-verbais de outras pessoas.

►Comportamentos repetitivos e restritiva
Além disso, o indivíduo deve apresentar pelo menos dois destes comportamentos:
● Apego extremo a rotinas e padrões e resistência a mudanças nas rotinas
● Fala ou movimentos repetitivos
● Interesses intensos e restritiva
● Dificuldade em integrar informação sensorial ou forte procura ou evitar comportamentos de estímulos sensoriais

DSM-V Mudanças para desordens do espectro autista

A última revisão do DSM trás algumas mudanças significativas para a definição de autismo.
Um Transtorno, ao invés de cinco...
ANTERIORMENTE, havia cinco transtornos do espectro do autismo, cada um dos quais tinha um diagnóstico único:
● Transtorno Autista ou autismo clássico,
● Transtorno de Asperger ,
● Transtorno Invasivo do Desenvolvimento - Sem Outra Especificação ( PDD-NOS ),
● Síndrome de Rett,
● Transtorno Desintegrativo da Infância...

Na última revisão do DSM, esses transtornos Deixaram de ser diagnósticos distintos no espectro do autismo. Em vez disso, com exceção da síndrome de Rett, eles foram incluídos no diagnóstico de "Transtorno do Espectro do Autismo." Já Síndrome de Rett tornou-se uma entidade própria e deixando de ser parte do espectro do autismo.
De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria DSM-V Development Team , os padrões para o diagnóstico de transtornos do espectro do autismo mudaram por várias razões:

● Embora seja possível distinguir claramente a diferença entre as pessoas com TEA’s e aqueles com o funcionamento neurotípico, é mais difícil de diagnosticar os sub-tipos válidos e consistente.
● Uma vez que todas as pessoas com transtornos do espectro autista exibem alguns dos comportamentos típicos, é melhor para redefinir o diagnóstico por gravidade do que ter um rótulo completamente separado.
● Um único diagnóstico de TEA reflete melhor o atual pesquisa sobre a apresentação e patologia do autismo.

Alterações principais critérios diagnósticos

A versão anterior do DSM tinha três critérios principais para diagnóstico:
● Desafios de Linguagem
● Déficits sociais
● Comportamentos estereotipados ou repetitivos

O novo DSM terá apenas duas áreas principais:
● comunicação social e os
● déficits e os comportamentos fixos ou repetitivos

O DSM-V DevelopmentTeam explica que é difícil separar os déficits de comunicação e os déficits sociais, uma vez que estas duas áreas se sobrepõem de forma significativa. A comunicação é frequentemente utilizado para fins sociais, e os déficits de comunicação podem afetar drasticamente o desempenho social.

Os atrasos de linguagem não faz mais parte do Diagnóstico!
Anteriormente, um atraso de linguagem era um fator significativo no diagnóstico de autismo clássico. Além disso, os indivíduos com Transtorno de Asperger não poderia ter um atraso de linguagem, a fim de receber esse diagnóstico.

A nova versão do DSM não incluem atraso de linguagem como um critério para o diagnóstico. Devido atrasos de linguagem podem ocorrer por muitas razões e não foram consistentes em todo o espectro do autismo, a Equipe de Desenvolvimento DSM-V sentiu que eles não devem ser necessária para o diagnóstico.

Embora a definição de autismo está mudando, as características principais da condição permanecem as mesmas. Uma vez que as pessoas com todos os níveis de autismo apresentam muitas das mesmas características, mas variam no grau ao qual eles exibem eles, os novos critérios DSM-V pode refletir melhor que o autismo é um espectro ao invés de um grupo de doenças distintas.

referencia:
Por Kate Miller-Wilson
Criteria for Autism in the DSM-V