domingo, 17 de abril de 2016

Um exemplo real de observação de sala de aula


Um dos recursos mais valiosos que o coordenador pedagógico pode utilizar no processo de formação continuada é a observação de sala de aula. Assistir à interação entre professor e alunos no momento em que ela acontece é uma excelente maneira de coletar dados reais e, a partir deles, ter subsídios para discutir com o docente as possibilidades de intervenção. Para o coordenador, é também ocasião para verificar se a formação oferecida tem impactado efetivamente no dia-a-dia da escola e corrigir falhas.
O problema é que nem sempre o professor se sente confortável com a presença do coordenador dentro da sala. Em muitos casos, o profissional se sente “fiscalizado pelo chefe”, o que pode criar situações de insegurança que atrapalham o andamento da aula e contaminam a avaliação, cujos objetivos devem ser estritamente formativos e pedagógicos.
Esse desconforto é fruto, principalmente, da ausência de clareza sobre o que será observado e das reais motivações da observação. Por isso, o coordenador precisa adotar uma posição de colaborador, e não de fiscal, junto ao docente.
Gostaria de compartilhar com você uma observação que realizei na escola em que atuo, como parte de uma formação sobre cálculo mental. A ideia era pensar em como o professor pode propor exercícios matemáticos e como deve agir quando as crianças apresentam dúvidas.
A professora Edna das Graças Miranda, do 5º ano, foi a escolhida. Juntas, Edna e eu desenvolvemos duas atividades sobre frações, em que os alunos deveriam lidar com divisões e multiplicações.
Antes da observação, organizei uma pauta com três tópicos para orientar meu olhar sobre a ação da professora:
  • Qual foi a atividade proposta aos alunos?
  • Como a professora colocou o problema para os alunos? Quais comentários feitos por ela considero positivos e quais podem ser melhorados?
  • Como a professora atuou em relação às dúvidas da turma? Relatar uma atitude da docente que considerei positiva a esse respeito e registrar os motivos da escolha.
Você baixar essa pauta aqui e utilizá-la nas suas próprias observações.
Para ganhar a confiança da professora, mostrei a ela a minha pauta de observação, procurando tranquilizá-la. Outra ação importante foi repassar as etapas da atividade, antecipando os objetivos de cada uma delas, a consigna, as intervenções possíveis, a socialização com as crianças, o tempo gasto para cada exercício, o material a ser utilizado, a atuação da professora e o meu papel durante a aula.
No dia da observação, escolhi um local discreto, no fundo da sala, de forma que a minha presença interferisse o menos possível no ambiente. Ao acompanhar o desenrolar das atividades, só fiz registros dentro do que foi estritamente combinado. Para agilizar as anotações e não perder nenhum detalhe, costumo anotar tudo em tópicos.
Só após a observação fiz meu registro reflexivo: retomei as anotações e selecionei as questões mais relevantes para discutir com a professora. Além de chamar a atenção para o que precisa ser melhorado, é muito importante ressaltar o que houve de positivo, inclusive como forma de reconhecimento e motivação. Para ver e baixar o registro que elaborei, clique aqui.
Por fim, marquei um encontro com a professora Edna para a devolutiva. Comecei ouvindo as impressões da própria docente sobre a aula. E, para guiar essa conversa, elaborei perguntas que ajudaram a esmiuçar detalhes da aula observada e verificar o que precisaria ser feito para dar continuidade à sequência proposta.
Não foi este o caso, mas em algumas oportunidades, além da conversa, gosto de fazer uma sugestão de leitura que traga embasamento teórico relacionado à prática observada. Isso ajuda a aprofundar o assunto e enfatiza o caráter formativo do processo.

FONTE: Eduarda

Quando o TDAH compromete o desempenho escolar

Enquanto a criança com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) convive apenas entre família e amigos, os sintomas não são tão nítidos. As características ganham destaque quando ela começa a frequentar a escola. Nesta fase, têm início as cobranças, trabalhos, lições de casa, provas… Além disso, os pais começam a ouvir queixas da escola quanto ao filho que não pára quieto, que não presta atenção às aulas, que fala o tempo todo, que não consegue se adequar à otina. 
O rendimento escolar dessas crianças passa por uma fase de grande instabilidade: hora são brilhantes, hora não conseguem assimilar um conteúdo. Observa-se uma queda muito grande de rendimento principalmente em conteúdos que exigem leitura, concentração, interpretação. Em contrapartida, a criança pode conseguir resolver rapidamente um problema de matemática de cabeça ou usando um método criativo, e não segue a regra ensinada em sala de aula. Muitas vezes não consegue nem explicar como chegou ao resultado. E acaba sendo julgada como rebelde por não seguir o padrão ensinado pelo professor.
TDAH
Como pais e professores podem ajudar?
·         * O primeiro passo é informar-se sobre o assunto. Existe muito material disponível, física e virtualmente, ou também palestras e rodas de conversa para troca de informações sobre o assunto. A informação é muito importante para compreender o problema e aprender a identificar o que é “rebeldia” e que definitivamente não é culpa dela.
·        * Em sala de aula, a criança deve ficar o mais longe possível de estímulos do ambiente, longe da porta, da janela e de outros alunos que falem bastante, o mais próximo do professor.
·         * Disponibilizar formas alternativas de estudo, principalmente através de material virtual. Uma dica interessante é fazer leitura em tablets, onde a criança consegue grifar partes importantes do texto apenas utilizando os dedos.
·        * Dar metas de estudos ou de atividades menores em casa. Por exemplo: cronometrar 2 minutos para que ela memorize um parágrafo ou resolva um exercício. E dissolver o restante do que deve ser estudado/resolvido em pequenas metas.
·       *  Ajudar a criança a criar o hábito de anotar coisas que precisam ser lembradas, usando agenda, bilhetinhos, um mural em seu quarto, etc.
·       *  Elogiar mais e criticar menos. Essas crianças estão acostumadas a ouvir críticas o tempo todo: “não“, “pare“, “fique quieto“. O ideal é sempre destacar aquilo que ela faz de maneira adequada.
·       *  Estimule a prática de um esporte, que fará com que a criança aprenda a controlar sua impulsividade, fique mais atenta a regras e instruções, além de fazê-la utilizar melhor forma essa energia que tem de sobra!
·       *  Uma última alternativa é fazer uma adequação curricular, dividindo o conteúdo em um número maior de avaliações, reduzindo os conteúdos cobrados, oferecendo atividades práticas relacionadas ao conteúdo, etc.


Não existe fórmula mágica para os alunos com TDAH. Seu desempenho irá melhorar quando houver empenho, dedicação e persistência dos pais e professores!

Evite a indisciplina


1 – Falar somente quando todos estiverem em silêncio. 
2 – Utilize uma linguagem aberta e objetiva, assim o aluno percebe claramente o que você está dizendo.
3 – Em nenhum momento grite. Esta atitude demonstra total falta de respeito e desmoraliza o professor.
4 – Mantenha segurança nas falas e serenidade nas atitudes. Agindo assim os alunos passam a confiar no seu trabalho.
5 – Tenha cuidado nas expressões corporais, gestos e expressões do rosto. Isso gera influências positivas ou negativas.
6 – Não aceite que o aluno trate você como uma pessoa qualquer. Evite abraços, tapinhas nas costas, gracinhas, piadinhas e etc.
7 – Nunca utilize a ironia ou o sarcasmo.
8 – Seja acolhedor. Mantenha o equilíbrio, alegria não deve ser confundida com bagunça.
9 – Realize a correção das atividades, isto demonstra o interesse do aluno em realizar as tarefas.
10 – Elogie sempre que possível.
11 – Cobre a perfeição dos alunos, somente assim eles alcançarão metas estabelecidas.
12 – Evite ameaças, pois o não cumprimento desprestigia o professor.
13 – Nunca transpareça problemas pessoais na sala de aula. O aluno não deve participar e nem tomar conhecimento dos problemas pessoais do professor.
14 – Dê o menor número possível de ordens. Mande estritamente o necessário e com respeito.


Por Marcos Noé
Graduado em Matemática

LEI 11.738/2008

4 dicas para lidar com alunos "difíceis"

Todo início do ano letivo, os professores se deparam com uma nova turma, que terá uma característica própria à medida que os estudantes forem se conhecendo melhor. Por mais que o docente se apegue à sala, é normal que ele tenha problemas com algum dos alunos, simplesmente pelo fato de serem crianças com um comportamento mais difícil do que as outras.
Confira como lidar com essas crianças:
1 – Escute
Muitos atos de rebeldia podem ser justificados pelo fato da criança nunca ser ouvida e, por isso, adota uma postura agressiva. Por mais difícil que seja no começo, deixe claro para ela que você irá ajudá-la no que precisar e também irá ouvi-la. Quanto maior for a confiança, as chances de vocês terem uma boa convivência aumentam consideravelmente.

2 – Interprete a linguagem corporal

Quando o estudante estiver muito nervoso ou triste com determinada situação, você poderá perceber pela forma como ele se comporta. Muitas vezes o aluno pode agir para chamar sua atenção e, nesse momento, mostrar que se importa com o que ele está sentindo é essencial.

3 – Crie incentivos

Os alunos difíceis muitas vezes tornam-se mais flexíveis quando você cria atividades que gere algum tipo de estímulo, como prêmios ou formas de fazer com que ele se destaque. Pense sempre em tarefas lúdicas, porque assim perceberá que até os estudantes mais complicados conseguem se envolver nas aulas.

4 – Preocupe-se com o tom de voz

Independentemente de quão nervoso você esteja por causa de um estudante, nunca levante o tom de voz para ele. Isso pode deixá-lo ainda mais irritado e prejudicar o seu trabalho. Assim, busque manter a calma e encontrar saídas para o problema relatado pelo aluno.
Fonte: Universia Brasil

“O tal do ABA”



ABA significa Applied Behavior Analysis, em português Análise do Comportamento Aplicada, é uma linha de tratamento da psicologia que trabalha com observação, análise e associação entre o comportamento humano, o ambiente e as diferentes formas de aprendizado. Busca identificar relações funcionais entre o ambiente e o comportamento, para melhorar a qualidade de vida do paciente.
Cada criança autista é única apesar de terem características semelhantes, cada uma participa de um espectro diferente e reage ao meio ambiente de forma diferente, por isso o primeiro passo da terapia ABA é a observação das habilidades de cada um e de suas limitações (comportamentos inadequados).
Depois é traçado um plano de ação personalizado e aplica-se a intervenção de acordo com os resultados dessa análise inicial, periodicamente é feita uma reavaliação para traçar um outro plano de ação compatível com os avanços alcançados.
A terapia em ABA é comprovadamente eficaz no tratamento de crianças com transtorno do espectro autista, tanto que nos EUA é reconhecido como modelo científico e o tratamento é financiado pelo governo ou financiado pelo seguro saúde em clínicas especializadas.
Existem outras formas de intervenção e tratamento, inclusive nossa terapeuta ocupacional trabalha basicamente com integração sensorial.
Infelizmente, no Brasil  ainda não temos financiamento de um tratamento específico para crianças com transtorno do espectro autista pelo governo, a maioria das crianças autistas que não tem plano de saúde é acompanhado e estimulado em APAE.
Uma advogada que trabalha especificamente com ações relacionadas à planos de saúde e suas obrigações conta que os  plano de saúde deve, por lei, arcar com tratamentos que necessitam de profissionais especializados mas que ainda não os possui em seu corpo médico credenciado.


sábado, 9 de abril de 2016

Recomendações sobre o brincar nas crianças com Autismo

Brincar é uma atividade tão rica que é instrumento, recurso terapêutico. Por meio do brincar pode-se desenvolver habilidades distintas que serão essenciais à criança na vida particular e social.
Segundo Miguel Antonio Higuera Cancino, no livro “Mi hijo no habla”, o primeiro passo para quem vai brincar com a criança com Autismo é ter em mente que esse é um momento conjunto, permitindo o jogo colaborativo, simbólico e social. Nada de brincar isolado um do outro, deve-se pensar em brincadeiras e ações durante o brincar que envolvam ambos participantes.
O brincar precisar ser regular, bem como assim deve ser a atitude de quem está brincando. A graduação dessa atividade, ou seja, a evolução da brincadeira em termos de exigências, precisa ser de acordo com os limites da criança naquele momento. Geralmente, as conquistas são progressivas, por isso, os adultos precisam tanto quanto as crianças estarem preparados para enfrentar a frustração com as dificuldades na gestão comportamental.  Terapeutas, professores e, acima de tudo, todos do ambiente familiar precisam estar conscientes de como brincar da melhor forma, sempre lembrando de agir em conjunto com a criança e apoiando não só a terapia, mas também os limites e as regras que os pais propõem, pois ele que vivem diariamente com seus filhos/filhas e suas dificuldades.
As recomendações quanto ao brincar, foram divididas por Miguel Antonio em dois grupos:
– Crianças com poucas habilidades verbais e/ou comunicativas:
1. Escolher um material simples, que pode ser facilmente manipulado pela criança.
2. Ter brinquedos que permitam alternar formas de brincar e as exigências (quebra-cabeças, bonecos).
3. Usar animais de brinquedo, bonecos e objetos do cotidiano para construir situações cotidianas dentro do jogo (lavar, comer, dormir, etc,).
4. Tentar manter a atividade com um único tipo de material ou situação durante pelo menos 5 minutos.
5. Usar uma linguagem simples, frases curtas, e os nomes dos objetos de forma que a criança entenda claramente e possa até mesmo repetir alguns gestos ou palavras.
6. Às vezes, brincar em espaços menores com alguns objetos para que criança esteja menos susceptível a distrações e atenda as ações e as pessoas mais facilmente.
7. Incorporar novos jogos ou materiais progressivamente, devagar, para diversificar os interesses da criança.
8. Premiar com abraços e elogios.
9. Diante de birras ou agressão, parar de jogar. Esclarecer que maus comportamentos (gostemos ou não) têm consequências negativas. Oferecer voltar ao jogo quando a criança se acalmar.
– Crianças com habilidades verbais:


1. Escolher jogos ou materiais que permitam mudanças na forma de jogar, nos papéis e que possam incorporar a linguagem.
2. Errar para a criança corrigir seu parceiro de jogo.
3. Dizer que não entendeu para a criança explicar.
4. Negociar regras de conduta e regras do jogo.
5. Fornecer o papel de liderança à criança para verificar se ela faz as normas serem cumpridas.
6. Variar a freqüência de vitórias e derrotas. Quando o adulto perde, mostra a criança diversas formas de reagir à frustração, e então favorecer que a criança incorpore essas reações na conduta.
7. Diferentes indivíduos ou pares podem ser incorporados em jogos. É importante lembrar que a emoção surge a partir da interação e das formas de se relacionar com os outros. Por esta razão, sempre que nos encontramos diante de uma criança com linguagem e comunicação, devemos fazer o maior esforço para ajudar essas crianças a observarem, identificarem e expressarem todos os tipos de emoções, para que elas possam construir um pleno desenvolvimento social e emocional possível.