sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Camila e a Volta às Aulas

O desconhecido é sempre assustador para as crianças.
Para o priminho de Camila, o primeiro dia de aula poderia ter sido muito difícil se não fosse a ajuda de sua prima. Esta história mostra que o apoio dos amigos é de extrema importância em muitas situações da vida.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ansiedade infantil: por que precisamos ensinar as crianças a esperar

Sabe aquela clássica cena da família jantando no restaurante enquanto a única criança da mesa está completamente alheia à conversa, hipnotizada por algum desenho no celular? Ou então aquela de uma mãe morrendo de vergonha e colocando qualquer coisa no carrinho, só para o filho parar de espernear no meio do supermercado e ir logo para casa? Pois é, elas acontecem - e muito!
Fazer birra é um comportamento normal das crianças, afinal, faz parte da infância testar os limites. A questão é que, com a tecnologia cada vez mais ao alcance das (pequeninas) mãos, a paciência está virando artigo de luxo. "Vivemos num contexto em que tudo se resolve muito rapidamente com apenas um clique. Os avanços tecnológicos fazem com que as crianças cresçam num mundo em que as coisas acontecem na hora em que elas querem. Não precisam nem esperar o desenho preferido na TV, já que assistem quando têm vontade e na plataforma que preferem", explica Roberta Bento, especialista em aprendizagem baseada no funcionamento do cérebro pela Universidade da Califórnia e Duke University; e em aprendizagem cooperativa pelas Universidades de Minnesota e de San Diego.
Além da questão tecnológica, a formação das famílias atuais também influencia nessa pressa que os pequenos têm para serem atendidos. "Antigamente, tinha-se mais filhos e até nas refeições era preciso esperar a sua vez de ser servido. Hoje, é cada vez mais comum que os casais tenham só uma criança, que sempre tem tudo na hora que quer", lembra a especialista, que completa: "elas vivem num mundo que parece ser totalmente adaptado e pronto para os seus desejos".


Como ensinar os filhos a esperar

Não adianta, não tem cartilha ou fórmula mágica para criar filhos mais pacientes - esse é um exercício diário, que deve ser trabalhado naquelas pequenas situações do cotidiano. Por exemplo, ao invés de aproveitar enquanto as crianças estão na escola para ir ao supermercado, vá com elas fazer as compras e explique o que vocês estão fazendo. "Na sala de espera de um consultório médico, invente alguma brincadeira para passar o tempo, que não envolva um celular. Brinque de procurar letras, de encontrar objetos de determinada cor… Aproveite para conversar com seu filho", aconselha Roberta.
E não custa lembrar: o comportamento da criança na rua, na escola, nos restaurantes e em todos os outros ambientes que ela frequenta é apenas um reflexo de como ela vive em casa e, claro, de como os pais se comportam. Portanto, não adianta esperar que seu filho saiba esperar se, em casa, ele tem tudo quando deseja e se vê os adultos na maior correria a todo momento. Além disso, é preciso ter consciência de que a paciência precisa ser ensinada. "Essa não é mais uma competência que se desenvolve sozinha e não é interessante que os pais pensem que, dado o contexto atual, ela é desnecessária, já que tudo acontece muito rápido. É preciso que eles se empenhem dia a dia", ressalta a especialista.


Por que eles precisam ter paciência

Uma criança que é ensinada a esperar se torna uma pessoa mais educada, pois ao entender que o mundo não gira ao seu redor, ela cresce menos egocêntrica e vive melhor em sociedade. Ela aprende, por exemplo, que é preciso deixar as pessoas saírem do metrô antes de entrar e que as coisas passam por um processo antes de acontecer - a comida não fica pronta por mágica e não chegamos à praia de uma hora para outra. Tudo leva tempo e é preciso saber lidar com isso.
Criar filhos menos ansiosos também ajuda no aprendizado, já que eles conseguem parar para ouvir e, então, formular argumentos. "Os pequenos mais pacientes também conversam melhor, já que conseguem esperar o tempo de fala do outro para poder responder - e estabelecer essa linha de raciocínio demanda muita paciência. Além disso, a criança aprende a considerar o outro e, assim, a respeitar as diferenças", destaca Roberta.


A importância do tédio

Natação, inglês, judô, futebol, balé… A agenda dos pequenos parece estar cada vez mais cheia de atividades e o tempo livre - aquela famosa horinha de não fazer nada - está ficando raro. "Nós percebemos uma angústia dos pais em nunca deixar as crianças entediadas, mas a verdade é que elas precisam lidar com isso. Vivenciar o tédio é bom porque ele gera a necessidade da criatividade para fazer alguma coisa interessante, além de possibilitar um descanso ao cérebro", finaliza Roberta. Portanto, chegar a um equilíbrio é fundamental e trabalhar a ansiedade aos poucos dentro de casa é um caminho para criar filhos mais pacientes e preparados para viver bem em sociedade.


FONTE: Educar pra Crescer

Estratégias para ajudar a criança hiperativa

Se você tem uma criança hiperativa, certamente já perdeu a cabeça muitas vezes. Eu mesma às vezes acho difícil aceitar que não basta que meu filho se esforce. A criança não tem culpa! Acho que devemos adotar isso como um mantra sempre que estivermos beirando à loucura.
Algumas estratégias que podem ajudar:hiperativa
  • Tente olhar as coisas que a criança faz bem. Evite manter-se focado nas dificuldades dela.
  • Quando lhe passar tarefas, peça uma coisa de cada vez. Comece sempre pelas atividades mais fáceis, pois isso a deixará motivada.
  • Seja objetivo. Ao invés de pedir para que arrume o quarto, por exemplo, prefira especificar as atividades: arrumar a cama, guardar os brinquedos, dobrar as roupas, etc. E sempre uma coisa de cada vez.
  • Use o reforço positivo.
  • Encoraje a criança. Mostre que você confia, que ela é capaz.
  • Diminua o tom de voz. Além de fazer com a criança preste mais atenção, é uma forma mais gentil de comunicar.
  • Castigos e punições não ajudam. Apenas destroem aos poucos a auto estima.
  • Invista em esportes. Eles são ótimas formas de manter a saúde física, mas os benefícios vão muito além. Ajudam na concentração, nas habilidades sociais e na melhor utilização da energia que a criança tem de sobra.
  • Demonstre seu afeto com frases de incentivo: “Você fez muito bem, estou feliz.“, “Veja como você é capaz, fez isso muito bem!“.
  • Deixe que a criança tente fazer sozinha. Exclua pensamentos negativos, como ‘ele sempre derruba’ ou ‘nunca consegue fazer direito’. As crianças aprendem experimentando e errando.
  • Não critique quando ela falhar, derrubar coisas no chão ou quebrar algo, por exemplo. Apenas ajude-a a refletir sobre como poderá resolver e o que aprendeu com isso.
FONTE: Amanda Pul

domingo, 3 de julho de 2016

13 dicas para se concentrar na hora dos estudos

Por mais que você tente, está difícil fazer sua mente focar nos estudos? Veja as dicas de especialistas para resolver seu problema

Nosso cérebro é meio fanfarrão: na hora de pensar em estratégias para aquele jogo complicado de videogame ou de ler aquela revista que você adora, ele coopera facilmente. Mas quando é preciso sentar e estudar um pouco, parece não haver jeito de alcançar a concentração.
Isso fica ainda mais desesperador quando estamos em ano de vestibular e não temos tempo a perder. Para ajudar você nisso, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com especialistas e pediu dicas para ajudar seu cérebro a se concentrar. Como cada pessoa tem um jeito de funcionar, nem todas elas serão igualmente eficientes para todo mundo. Então é bom fazer uns testes até descobrir quais dão certo para você.
  • Não se contente em ler: escreva!
Segundo o professor e autor de livros com dicas para estudos Pierluigi Piazzi, é importante estudar escrevendo, e não só lendo. "Quem só lê perde a concentração. Quem escreve consegue entender o assunto e mantê-lo na mente", explica ele.
  • Escreva à mão em vez de digitar
Pesquisas já mostraram que os alunos que fazem isso aprendem mais do que quem só digita. "Você tem movimentos totalmente distintos para escrever cada letra a mão, mas isso não existe quando você está digitando. Isso faz com que mais redes neurais sejam ativadas no processo da escrita", diz o professor.
  • Como saber o que vale colocar no papel
Faça resumos, fichamentos e esquemas da matéria. Mas nada de ficar copiando todo o conteúdo dos livros. Para saber o que vale escrever, faça de conta que você está preparando uma cola para uma prova. Por ter pouco espaço e pouco tempo para consulta-la, é preciso ser conciso, mas ao mesmo tempo abordar os pontos principais. É disso que você precisa quando for estudar.
  • Revise a matéria que aprendeu em aula no mesmo dia
Além de evitar acumular matérias, estudar o conteúdo visto em sala de aula no mesmo dia fará com que seu cérebro entenda que aquilo é importante e o memorize.
  • Estude sozinho
Vamos combinar que, por mais legal que seja se reunir com os amigos para estudar, você acaba falando mais de outras coisas e as dúvidas permanecem. O professor Pierluigi é um grande defensor da ideia de que só se aprende mesmo no estudo solitário. "Estudar em grupo é útil se você for a pessoa que explica a matéria para os outros. Quem ouve não aproveita", diz ele. A melhor dica para um bom estudo, aliás, e explicar a matéria para si mesmo.
  • Use as aulas para entender as matérias e tirar dúvidas
Um erro comum, segundo o professor Pierluigi, é fazer dois cursinhos para ter um maior numero de aulas - o que realmente vai fazer diferença no vestibular é o momento em que você estuda sozinho, não o número de aulas que pegou. Mas isso não significa que vale cabular ou dormir nas aulas: elas são importantes para entender a matéria e tirar dúvidas.
  • Desligue todos os aparelhos eletrônicos
Na hora de estudar, nada de deixar o celular por perto avisando você de cada notificação no Facebook. E nem caia na tentação de abrir o Facebook só por "dois minutinhos". Esses dois minutinhos sempre se estendem e acabam com toda a sua concentração. Reserve um tempinho do seu dia só para as redes sociais e faça isso virar rotina para que se acostume a checá-la apenas nesse tempo específico.
  • Estude em um local organizado e tranquilo
O resto da sua casa até pode ser uma bagunça, mas o local onde você costuma estudar precisa estar sempre organizado e silencioso. Ter muitas coisas espalhadas pode atrapalhar a sua concentração e há o risco de perder tempo procurando coisas que sumiram na bagunça.
  • Música? Só em línguas que você não entenda
Não é proibido estudar ouvindo música - há quem precise dela para se concentrar. Mas evite ouvir músicas em idiomas que você entenda - isso pode fazer com que você desvie sua atenção para a letra e esqueça a matéria.
  • Use marca-texto
Usar canetas coloridas e marca-texto para enfatizar os pontos principais é uma boa ajuda para manter o foco no que for importante, especialmente se você tem problemas mais sérios de déficit de atenção. Post-its também podem ser úteis.
  • Respeite seu tempo
Se você é mais produtivo de manhã, deixe para estudar as matérias mais difíceis nesse período. Quando sentir que a concentração não está rolando de jeito nenhum, faça uma pequena parada e depois volte. Manter intervalos regulares é fundamental - e a frequência vai depender do seu ritmo.
  • Tenha uma programação organizada, mas seja flexível
Use uma agenda ou quadro branco para organizar suas tarefas e respeite-a! Mas faça programações realistas para que você não se desanime. Definir que você vai estudar durante oito horas por dia se você tem várias outras atividades, por exemplo, não é algo razoável. E esteja aberto para mudanças, caso seja necessário.
  • Crie um pequeno ritual antes de estudar
Sempre que for mergulhar nos estudos, crie e respeite um ritualzinho antes. Pode ser um alongamento, pegar um copo de suco para deixar na sua mesa, ou que mais achar melhor. Com o tempo, seu cérebro vai entender que é hora dos estudos e ficará mais fácil se concentrar.
Quando a dificuldade de concentração é crônica
Às vezes, a falta de atenção pode ser crônica e estar associada ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). "Todo mundo pode ser os sintomas, mas não o TDAH de fato. O que conta é chama é a persistência e o prejuízo que isso traz para as pessoas do ponto de vista educacional (como evasão e não conclusão dos estudos) e sociais (dificuldade de inserção no mercado de trabalho, inadaptação social etc.)", explica Cláudia Machado Siqueira, neuropediatra e coordenadora do Laboratório de Estudos dos Transtornos de Aprendizagem (LETRA) do Hospital das Clínicas da UFMG.
Os sintomas do TDAH, tanto de desatenção quanto de hiperatividade, aparecem por volta dos 3 a 7 anos de idade. Na vida adulta, o que fica geralmente é a dificuldade de se concentrar na metade dos casos - a hiperatividade diminui. Pesquisas apontam fatores genéticos e neurológicos como as principais causas prováveis do problema, embora fatores sociais possam contribuir no desenvolvimento de problemas associados.

Nesse caso, é necessário procurar um especialista. "O problema não tem cura, porque é o jeito como seu cérebro funciona", explica Cláudia Siqueira. Mas existe tratamento, geralmente feito com medicamentos e com a chamada terapia cognitivo comportamental (um segmento da psicologia que ajuda a criar estratégias para ajudar a pessoa na organização, planejamento e cumprimento de tarefas e objetivos, como as que a gente listou aqui).
Será que você tem TDAH? Faça o teste

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Falta de aceitação dos pais atrasa o desenvolvimento de filhos especiais

Conceito errado sobre os serviços realizados na Apae faz com que responsáveis por crianças deficientes não procurem ajuda.
O primeiro passo para iniciar o tratamento de um filho com deficiência é a aceitação dos pais. Só que o preconceito, algumas vezes, fala mais alto e acaba atrasando o desenvolvimento daqueles que precisam de uma atenção especial. A diretora da Apae de Araranguá, Clarinda de Vila, explica que, por falta de conhecimento, algumas pessoas têm uma ideia errada sobre o serviço realizado na instituição.
“As pessoas se preocupam em como vai ser a aceitação da sociedade com o filho deficiente e acabam tardando a entrada na Apae. Mas a gente percebe que aos poucos, se informando e conhecendo a importância do trabalho, o preconceito vai diminuindo”, informa a diretora.
A aceitação não acontece de um dia para o outro. De acordo com a psicóloga Jamily Trento, o processo inicia quando os pais descobrem que o filho é deficiente.
“A primeira reação é a de choque, em seguida vem o próprio luto pela “perda” de um filho saudável, depois os pais começam a se sentir culpados, e, por último, a família precisa se reorganizar para aceitar a deficiência”, explica.  Conforme Jamily, é fundamental que os pais que tenham dificuldade para aceitar as deficiências dos filhos procurem ajuda profissional.
Assumir que o filho precisa de ajuda é mais que responsabilidade dos pais, é um ato de amor. Um ato que, segundo a psicóloga, pode fazer grande diferença no desenvolvimento dessas pessoas. “A partir do momento em que a família realmente aceita a deficiência do filho, o trabalho é mais eficaz e os resultados mais positivos”, acrescenta.
Pais precisam reconhecer que filhos precisam de ajuda
A dona Jovita da Silva tem um filho deficiente de 33 anos. Ele nasceu com deficiência intelectual severa, mas hoje já consegue se comunicar melhor, expressar suas necessidades e até andar. Só que, conforme a dona de casa, isso só foi possível porque lá no início de vida do garoto ela reconheceu que o filho precisava de ajuda e procurou pela Apae.
“Os profissionais da Apae foram fundamentais no tratamento do meu filho. Se ele não tivesse recebido o acompanhamento da instituição desde cedo, certamente não teria se desenvolvido tão bem e, talvez, hoje não conseguisse nem ficar em pé”, relata.
Esta aceitação também foi a receita para que o filho da Andreza de Souza de dois anos conseguisse ter uma vida normal. O rapaz nasceu prematuro e, por causa disso, acabou tendo um atraso no desenvolvimento físico e intelectual. Realidade que já está sendo revertida com um acompanhamento profissional.
“No início, a gente tem aquele preconceito, mas depois que conhece a eficiência dos serviços realizados na instituição, percebe que é fundamental para que nossos filhos possam viver bem”, completa.

Filipe Gabriel Teixeira é acadêmico do curso de Jornalismo da Faculdade Satc e faz assessoria de imprensa voluntária para a Apae de Araranguá.

Escolas que excluem o aluno com deficiência, vocês perderam



Escolas particulares – isto é, instituições de ensino com finalidade lucrativa – são contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), no ponto em que as obriga a promover a inclusão plena dos alunos com alguma deficiência, sem, por isso, cobrar "valores adicionais".


A lei impõe o óbvio a quem se propõe a educar, exigindo que sejam garantidas condições de acesso, permanência e aprendizagem a todos os estudantes, sem exclusão. Isso indignou empresários da educação. Para eles, feriria o direito "sagrado" de propriedade, elevando muito os custos do negócio...
Querem limitar o acesso daqueles que não cabem em seu molde. Caso sejam obrigados a aceitá-los, querem cobrar mais caro. Fico pensando se o raciocínio se estende ao aluno com dificuldade em matemática, ao que joga bola mal, ou àquele que, por ser muito inteligente, demanda uma atenção especial. Eles também devem pagar mais? E se não puderem, devem ser excluídos? Enfim, a discriminação se limita à pessoa diagnosticada com deficiência física ou intelectual, ou se estende a outros grupos?
A visão distorcida da liberdade de ensinar permite a esses "educadores" concluir que podem inclusive negar a educação, quando o assunto é o sucesso empresarial. Afinal, seu fim não é educar, é ganhar dinheiro. A educação é só o meio, o empreendimento para isso.
Ajuizaram, então, ação no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que a Lei fosse considerada inconstitucional quando determina a obrigação das escolas particulares de educar, com qualidade, inclusive a pessoa com deficiência. Questionam-na, ainda, porque expressamente proíbe a cobrança adicional.
Pois bem. Perderam! A ação foi julgada improcedente.
A decisão teve como Relator o Ministro Edson Fachin. É uma aula sobre a importância da pluralidade e do convívio com a diferença na educação. É uma aula sobre os riscos de nos fecharmos ao outro, na clausura que "furta o colorido da vivência cotidiana".
Explica aos empresários que o fato de o serviço público de educação ser livre à iniciativa privada não significa autorização para a exploração irresponsável: "à escola não é dado escolher, segregar, separar, mas é seu dever ensinar, incluir, conviver". O ensino privado, continua o Ministro do STF, não pode privar os estudantes da construção diária de uma sociedade inclusiva e acolhedora. Não pode se transformar num local de exclusão.
A questão está decidida. Escolas particulares, vocês não podem excluir o aluno com deficiência. É inconstitucional. Se, para vocês, o respeito e inclusão plena significam "custos" excessivos que prejudicam o lucro, o melhor é mudarem o ramo de seus negócios. É um bem que fazem à educação nacional.
Aos que discordam de Fachin, concordando com o caminho odioso da exclusão: não me levem a mal, mas sua visão de mundo se assemelha muito ao nazismo. Buscava "eficiência", "ordem", uniformidade, por meio da eliminação do diferente.
O nazismo que, diga-se a propósito, como me ensinou o professor Eduardo Bittar, não foi, absolutamente, um acidente na "evolução" da humanidade. Foi a realização perfeita da razão matemática que não suporta o plural, o ambivalente, o diferente que não cabe em nossas pobres certezas.
É uma pena que a correção de caminho, que o nosso esclarecimento e humanização dependam de decisões judiciais.
FONTE: Guilherme Perez Cabral - Advogado e professor, doutor em filosofia e teoria geral do direito.