sábado, 31 de dezembro de 2016

Espaço e tempo da criança- Identidade

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Objetivo: Desenvolver socialização. Fazer com que a criança entenda que ela tem uma origem, e uma identidade cultural ajudando também na escrita do seu nome.
Tempo de duração: 2 horas

Material: folhas, A4, lápis de cor, giz de cera

Atividade: Confecção de um crachá o seu nome e com seu desenho

Desenvolvimento: Perguntamos aos alunos se eles já viram uma identidade e se eles sabem para que serve. Alguns disseram que sim, logo em seguida mostramos uma identidade a eles e explicamos que é usada para nos identificar e para demonstrar que a gente existe, e falamos também que todos nós temos uma identidade. Em seguida dissemos também que existe outro tipo de identidade, a identidade cultural, que é aquilo que a gente gosta como, por exemplo, uma roupa, uma música, etc. em seguida realizamos uma atividade com os alunos em que construímos um crachá com o nome e eles desenharam sua própria foto. Ao final, cantamos músicas selecionadas por eles.

Avaliação: Os alunos foram capazes de compreender que cada um tem sua identidade, e sua própria cultura, levando a desenvolver um respeito pelo outro em suas diferenças e semelhanças.





Fonte:educaroprimeiropasso.com

SUGESTÕES DE COMO PLANEJAR A SEMANA PEDAGÓGICA

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Uma boa semana pedagógica dependerá de uma boa organização acerca de tudo o que será feito e discutido.

SEGUE ALGUMAS DICAS PRÁTICAS QUE AJUDARÃO VOCÊ E SUA ESCOLA NESSA TAREFA

#Primeiras providências

Reúna a equipe gestora alguns dias antes para preparar a semana. Algumas ações devem ser realizadas:

- Montagem do calendário da escola
Com base na programação oficial da Secretaria de Educação (em que constam feriados, recessos e eventos de rede), planeje o calendário da escola, reservando datas para reuniões periódicas, como as de pais, do Conselho de Escola e da Associação de Pais e Mestres. Eleja alguns dias para eleição dos representantes de classe, feiras de Ciências e de livros, confraternizações e festas ou outro evento que a escola costume realizar. Peça ao coordenador para sugerir dias e horários para o trabalho pedagógico coletivo (geral, por área e por série).

- Consolidação dos dados da escola
Faça uma tabela com os principais dados da escola - número de matrículas iniciais e finais e as taxas de aprovação, repetência e distorção idade-série, os resultados de avaliações e planilhas de aprendizagens dos alunos.

- Planejamento do tempo
Monte um cronograma da semana pedagógica baseado na quantidade de dias que a escola dispõe para o encontro.

- Organização do espaço
Calcule quantos grupos de trabalho serão formados durante os encontros e combine com o pessoal da limpeza para que os espaços estejam limpos e organizados. Exponha as produções de alunos e professores em corredores e nas salas de aula para criar familiaridade e valorizar o trabalho realizado pelos alunos.

- Previsão de alimentação
Como receber a equipe? Com um café da manhã de boas-vindas? Então é preciso contar com a presença das merendeiras no local e preparar um espaço para essa recepção. Se a equipe vai se reunir por alguns dias, planeje os momentos em que ocorrerão as pausas e o almoço e o que será servido. Peça que as merendeiras organizem o cardápio e façam as compras necessárias.

ATENÇÃO:
Não perca tempo com dinâmicas de grupo e leituras de texto de "motivação" - práticas que não levam à melhoria da aprendizagem. A maneira mais eficaz de estimular a equipe é garantir um bom ambiente de trabalho e compartilhar metas.

  # PRIMEIRO DIA
* Manhã: Recepção e apresentação
Este é o momento de dar as boas-vindas a todos e acolher os novos professores e funcionários de apoio.

Proposta de reunião
Peça aos participantes que se apresentem, contando rapidamente em que área trabalham e um pouco do histórico profissional. Em seguida, fale sobre o perfil da comunidade e das famílias atendidas. Com base no regimento da escola, explique como são combinadas as regras e como funciona a divulgação de informações administrativas. Fale um pouco da rotina da escola. Compartilhe também os novos materiais e equipamentos adquiridos e, caso tenha havido alguma reforma ou construção, convide o grupo para uma visita ao local. Divulgue a programação da semana pedagógica para que a equipe saiba de quais reuniões participarão e os assuntos que serão abordados. Assim, todos podem se preparar. Separe um tempo para esclarecer dúvidas.

ATENÇÃO:
Convide a equipe gestora, os professores e os funcionários dos serviços de apoio para estar presentes o dia todo, reunidos em um grupo único.

Providenciar...
- Crachá se houver muitos novatos.
- Um espaço adequado para todos os participantes e o material necessário (cartazes, data show ou retroprojetor, microfone, giz, papel e caneta).
- Cópias do PPP.
- Planilhas com os dados da escola.
- As metas da rede, que devem estar contempladas nas da escola.

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* Tarde: Análise dos resultados da escola
Com todos inteirados do funcionamento da escola, é hora de refletir sobre as metas da unidade e os passos que precisam ser dados durante o ano para atingi-las.

Proposta de reunião
Inicie uma discussão com base no PPP e nos dados da escola do ano anterior, tanto os revelados pelos diagnósticos internos como os de avaliações externas, como Índice de Desenvolvimento Básico da Educação (Ideb). Depois de expor os números, levante questões que levem à reflexão: qual é o quadro atual da escola? Aonde queremos chegar e como fazer para ir da atual realidade à meta desejada? O envolvimento de todos nesse debate é essencial. Esclareça que até as funções administrativas têm papel educador.
  
#SEGUNDO DIA

Manhã : Organização de agendas
Use o segundo dia para apresentar o calendário escolar e definir a grade horária das salas, que já foi previamente elaborada com o coordenador.

Proposta de reunião
Entregue uma cópia do calendário à equipe e explique os itens marcados. Caso surjam propostas de mudança, cabe avaliar as alterações. No caso da grade horária das turmas, peça que cada um analise se sua área terá um bom funcionamento diante da programação sugerida. As merendeiras, por exemplo, conseguirão providenciar a merenda nos intervalos escalonados? E o pessoal da limpeza dá conta de preparar o laboratório para as aulas de Química se elas são em sequência? Defina os horários de formação permanente em que toda a equipe docente deverá estar presente e os que serão realizados somente com os professores de uma disciplina ou ciclo, tomando o cuidado de escolher data e hora em que todos possam estar presentes. Para isso, é essencial levar em conta, inclusive, a agenda dos professores que lecionam em outras escolas.

ATENÇÃO
Reúna professores e funcionários para os informes gerais e, depois, divida a equipe em grupos, por área de atuação.

Providenciar...
- Cópias do calendário da escola.
- Grade com o horário de aulas das turmas.
- Salas adequadas, preparadas e em número suficiente para que os participantes trabalhem em grupo.
- Cópias e relatórios de projetos realizados no ano anterior que deram bons resultados.
- Projetos elaborados em outras escolas ou encontrados em bibliografia especializada para serem adaptados.
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* Tarde: Avaliação de projetos institucionais
Acertados os horários, a equipe deve planejar os projetos institucionais. Os temas escolhidos devem enriquecer o currículo, mobilizar a comunidade e ser coerente com o PPP.

Proposta de reunião
Apresente os bons projetos institucionais realizados e as contribuições deles para a aprendizagem. Abra a discussão para novas sugestões e promova a análise de cada uma sempre de olho na intencionalidade: quais os resultados esperados? Como os pais podem se envolver? Que responsabilidades os alunos terão na organização? Essa é a melhor forma de alcançar os objetivos? Também é interessante levar para a equipe projetos realizados em outras escolas ou encontrados em bibliografia especializada (e que possam ser adaptados). Quando escolhidas as propostas, defina com o grupo os professores e gestores que farão o acompanhamento. E não se esqueça de registrar as intenções no PPP.

#TERCEIRO DIA

* O dia todo: Passagem de turma
Este é o dia em que os professores se dedicam a conhecer as turmas com as quais vão trabalhar durante o ano e os funcionários dos serviços de apoio analisam a rotina de trabalho.

Proposta de reunião
Aqui, o foco está no passado: cada professor fala da sala com a qual trabalhou no ano anterior, segundo um roteiro definido pelo coordenador pedagógico. Se um educador saiu da escola, um membro da equipe gestora deve assumir a tarefa. Certifique-se de que sejam abordadas as características gerais da turma, como os conteúdos trabalhados e os resultados das avaliações. Recupere documentos como mapas de aprendizagem e fichas de alunos para a análise dos docentes. Nas escolas que tenham o Ensino Fundamental completo, é essencial que o professor do antigo 5º ano converse com todos os do 6º ano para ajudar os colegas a criar um ambiente que facilite a adaptação ao novo ciclo. Preveja um orador para falar sobre os avanços em cada área e outro para discorrer sobre o perfil das turmas dos últimos anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

ATENÇÃO
Fique atento para que os grupos mantenham foco no pedagógico e evite que o momento seja usado para disseminar ideias pré-concebidas sobre determinada turma ou aluno.

Providenciar...
- Portfólios de alunos e professores, separados por turmas.
- Mapas de aprendizagem e fichas dos alunos.
- Salas para as reuniões dos professores (em duplas ou grupos) e para os grupos de funcionários das diversas áreas.

#QUARTO DIA

* O dia todo: Plano de ensino
Momento de os professores se dedicarem ao planejamento geral da disciplina que ensinam. A equipe de gestão acompanha o trabalho como mediadora entre os colegas que vão compartilhar o mesmo plano e supervisiona os resultados. Os funcionários de apoio podem ser dispensados neste dia.

Proposta de reunião
Neste dia, os professores alinham os planos de ensino, distribuindo os conteúdos que serão trabalhados por bimestre (ou trimestre) e definindo os principais projetos e sequências didáticas, sempre usando como base o PPP, a matriz curricular da rede e as experiências de cada profissional.

ATENÇÃO
Agrupe os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental por série e os dos anos finais e do Ensino Médio por disciplina, com acompanhamento do coordenador pedagógico e da direção.

Providenciar...
- Espaço adequado para que os professores trabalhem em grupos.
- Pastas com propostas de atividades permanentes, sequências e projetos didáticos separados por disciplina e/ou por série.
- A proposta curricular da rede.
- Sala de informática em condições de uso para a produção de apresentações.
- Cartolina, papel e canetas hidrográficas.

#QUINTO DIA

*  Manhã: Apresentação do plano de ensino
Depois de um dia de discussão, os professores precisam de um espaço para apresentar os planos e discuti-los com os colegas. Esse procedimento ajuda a dar unidade ao currículo.

Proposta de reunião
O coordenador pedagógico pode montar uma proposta para que todos os professores apresentem os planos de ensino para o ano que começa. O papel do gestor neste dia é contribuir para o aprimoramento do planejamento e estimular a equipe a dar sugestões.

Convoque todos os professores para ouvir as exposições dos colegas, participar dos debates e, dessa forma, conhecer o plano de ensino de toda a escola.

Providenciar...
- Espaço adequado para reunir toda a equipe.
- Equipamentos como retroprojetor ou data show para as apresentações.
- Textos que tratem da importância do acolhimento dos alunos nos primeiros dias de aula.
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* Tarde: Encerramento
Reserve o último período para planejar a recepção dos alunos e avaliar as atividades desenvolvidas durante a semana de planejamento.

Proposta de reunião
É possível começar a tarde lendo com a equipe um texto sobre a importância da acolhida nos primeiros dias - e durante todo o ano. Promova um debate sobre como será a recepção dos estudantes, definindo questões práticas: onde receber os alunos, no portão da escola ou na entrada da sala de aula? Como devem ser recebidos os pais que acompanham os filhos? Uma revisão do que foi feito nos anos anteriores ajuda a pensar nos ajustes. Para encerrar, reserve um tempo para que todos falem sobre a semana pedagógica. Um membro da equipe gestora pode anotar as opiniões, os pontos que precisam ser retomados durante o ano e as informações que ajudarão os gestores na avaliação da organização do tempo, do espaço e dos trabalhos propostos. Não se esqueça de combinar com os professores um prazo para a entrega final dos planos de ensino e reforçar que haverá reuniões de formação durante o ano para tirar dúvidas e aprimorar o planejamento das aulas.



FONTE: eduqueetransforme.blogspot.com.br

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A importância do Dia Mundial da Conscientização do Autismo

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Pedro tem 2 aninhos e parece meio alheio a tudo. Não olha quando é chamado, não atende a comandos verbais simples e, às vezes, parece nem se importar quando o pai chega do trabalho. Passa horas deitado no chão observando as rodinhas de seu carrinho vermelho. Pedro também não fala nada além de "mamã". Ao relatarem esses fatos à pediatra, os pais ouviram que está tudo bem, que são ansiosos demais e que isso é falta de estímulo porque a mãe, principalmente, trabalha demais.
Rafael tem 3 anos e fala de forma diferente: repete, incansavelmente, vários bordões de desenhos animados que assiste em seu tablet e sabe todos os números de 1 a 100, em português e inglês. Mas parece incapaz de responder às perguntas simples de sua mãe, como, por exemplo, o que ele fez na escola naquele dia. Quando está nervoso, grita muito, se joga no chão e até bate a cabeça na parede. Sua mãe, cansada de ser julgada pelos olhares alheios na rua, resolveu levá-lo a um neuropediatra. O médico o olhou por 10 minutos e disse que ele não é autista porque "faz contato visual" e "é afetuoso".Rita foi abandonada pelo marido, está desempregada e depende do auxílio financeiro do governo. Seu filho Guilherme tem 4 anos e ainda não fala. Já faz mais de um ano que ela pediu, no posto de saúde, para que ele passasse no neuro. Continua esperando.
Gabriela é um bebê de quase 2 anos. Sua mãe relatou, em um grupo materno no Facebook, que ficou preocupada porque a filha parece "desaprender" as coisas. Parou de dar tchauzinho, de bater palmas, não gosta dos brinquedos, mas pode passar horas acendendo e apagando luzes ou abrindo e fechando portas de armários. Também tem um apego estranho por objetos como caixas de fósforos e garrafas pet. Ouviu da maioria das mães que não deve se preocupar, porque cada criança tem seu tempo.
Bernardo tem 8 anos, é extremamente inocente e tem dificuldades para entender linguagem não verbal e ironias. Com isso, virou alvo fácil do bullying na escola. Cansada de ver o filho chorar dizendo que ninguém gosta dele, a mãe foi à escola. Ouviu da diretora que crianças são assim mesmo e não há nada que possa ser feito.
Mariana já rodou a cidade de norte a sul e não consegue encontrar uma escola para seu filho Fernando, de 5 anos, que é autista. As vagas existem. Mas, quando ela menciona o autismo do filho, elas somem misteriosamente.
Todas as crianças acima são autistas. Algumas vão ter seu diagnóstico atrasado pelo desconhecimento de pais, professores e profissionais da área da saúde. Serão meses ou anos perdidos, um tempo precioso que poderia estar sendo revertido em intervenção precoce.
Umas vão ficar sem escola. Outras serão aceitas, mas ficarão "encostadas", sem profissionais qualificados e capacitados para ajudá-las em seu jeito único de aprender. Muitas vão sofrer bullying graças ao desconhecimento de professores e alunos.
Ah, a conscientização! Palavra bonita e importante que toma um sentido especial para todos os autistas e seus familiares no dia 2 de abril. Este é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, decretado pela ONU! Há vários anos, como parte da celebração, muitos edifícios importantes do mundo - como o Empire State Building e até o Cristo Redentor - ficam iluminados de azul.
Segundo a estatística americana, 1 em cada 68 crianças tem autismo. Isso é muita coisa! Como vamos diagnosticar essas crianças cedo o suficiente para quem tenham a intervenção precoce, que é tão importante? Como vamos qualificar profissionais da saúde e da educação? Como vamos alertar os pais para que fiquem atentos aos sintomas? Como vamos acolher e cuidar dos autistas mais velhos, cujos pais já estão idosos e não têm condições de olhar por eles?
Meu filho Theo foi diagnosticado pouco antes de fazer 2 anos. Dois pediatras disseram que ele não tinha autismo, mas estavam enganados. Ainda bem que não aceitamos as respostas confortáveis, mas equivocadas!
Vivemos de perto o drama de "em que escola meu filho vai estudar". Começamos as terapias bem rápido e, hoje, não gosto nem de pensar como ele estaria se não tivéssemos agido imediatamente. Theo vai fazer 8 anos em junho, não fala, mas se comunica bem através de um sistema que usa figuras. Atualmente, moramos na Suécia, onde ele conta com assistência boa e gratuita, além de uma escola que está totalmente preparada para ensiná-lo. Ele está, inclusive, sendo alfabetizado, aprendendo a contar, tudo da melhor forma e respeitando suas particularidades.
É exatamente por isso que precisamos da conscientização. Para que o Brasil possa, um dia, dar as mesmas condições a seus autistas. Para que situações como as relatadas no início deste texto sejam cada vez menos frequentes. Conscientização para gerar ação, conhecimento, capacitação, menos preconceito.
Quer ajudar a espalhar a conscientização do autismo? Então, no dia de hoje, vista uma peça de roupa azul, poste uma foto das redes sociais e use a hashtag #azulpelosautistas !
E fique atento em casa: criança que, aos 2 anos, perde habilidades que já tinha, não usa a fala para se comunicar, não aponta e não olha quando chamada pelo nome, precisa ser avaliada por um neuropediatra ou psiquiatra infantil. Quanto mais cedo as terapias começam, maiores as chances de que estas crianças possam ter uma vida independente no futuro!

FONTE: revistacrescer.globo.com

Na escola meu filho autista ajuda seu filho não autista

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“É um absurdo incluir alunos com necessidades especiais escola regular! Física eu até entendo… Mas Intelectual! Eu vou ter que atrasar toda a matéria porque não posso continuar o conteúdo até que todas as crianças aprendam.” E assim começou a minha discussão com um estudante de História, um futuro professor. Simplesmente eu não pude me calar e aceitar a realidade que alguns educadores ou futuros educadores de nosso país tenham uma visão tão limitada. Eu poderia superar esse discurso vindo de qualquer pessoa, MENOS de um educador (no caso um futuro educador).
Definitivamente, e infelizmente, brigar sobre o tema se tornou quase uma atividade em minha vida. Infelizmente há tantas e tantas pessoas desinformadas que proferem discursos de preconceito, sem sequer compreender o conteúdo de suas palavras. Em outros casos, há discursos de pessoas que, desacreditadas com a falsa inclusão até então promovida em nosso país, se dizem contra ela, sem se darem conta que na realidade são aversivas às ineficiências de um sistema educacional carente.
A inclusão traz grande benefício para o incluído. E, em se tratando de crianças autistas, os ganhos são imensos: a escola é um ambiente de socialização, sendo perfeita para explorar a capacidade de se relacionar da criança; a criança autista terá exemplo no comportamento típico, facilitando a apreensão desse comportamento em seu cotidiano; será pedagogicamente estimulada a acompanhar os alunos típicos, abrindo espaço para um desenvolvimento mais amplo de suas habilidades.
Evidentemente que uma coisa é simplesmente colocar um aluno com necessidades especiais em uma escola típica, e outra completamente diferente é incluí-lo de fato. Em certos casos é impende a adaptação de material e de abordagem de ensino. A realidade é que nosso sistema de ensino não está preparado para isso no momento. Todavia, não incluir pela falta de preparo do sistema é premiar o descaso para com a educação de tantas e tantas crianças ditas “atípicas”. A força da lei em obrigar os colégios a receberem alunos com deficiência física e intelectual obriga o Estado e as Instituições de ensino a cumprir seu papel de inclusões.
E é nesse momento que nós, pais de crianças com necessidades especiais, devemos realizar o importantíssimo papel de fiscalizar os métodos de inclusões realizados pelas escolas e exigir uma inclusão efetiva, nem que para isso tenhamos que recorrer ao judiciário. O direito de inclusão existe, a necessidade também, sendo que cabe a nós lutar pelo espaço que nossos filhos merecem.
Sei que muitos pais estão desacreditados da possibilidade de ter seus filhos verdadeiramente integrantes de um sistema de ensino regular. Escolas afirmando que não é necessário tutor quando os médicos reafirmam o contrário; falta de adaptação de material escolar; exclusão; preconceito… E a esses pais digo: Entendo sua dor. Não estão sozinhos. Tantos e tantos pais estão com vocês nesse desafio, nesse caminho árduo.
Mas se me permitem dizer, desistir ou desacreditar da inclusão é apenas aceitar que a sociedade exclua nossos pequenos. Então o que fazer? Brigar, e exigir – de todas as formas – para que os direitos sejam cumpridos. É claro que é um caminho cansativo. É claro que é um projeto árduo. Sei que muitos pais e mães estão cansados dessa luta pela inclusão, que parece não ter fim.
Ao que parece, nunca teremos um país com instituições de ensino preparadas para receber autistas se aceitarmos o despreparo, se nos calarmos diante do desrespeito com o direito de nossos filhos. Se você desistiu da inclusão, não lhe condeno; afinal, ter um filho autista representa por vezes muita luta diária com uma sociedade bastante injusta e nós, pais, somos simplesmente humanos – passiveis de cansaço, de medo, de desgosto.  Mas se você ainda não desistiu, ou se estiver disposto a mudar de ideia, saiba que o seu empenho em transformar a inclusão em realidade será recompensado através do aumento da possibilidade de desenvolvimento de seu filho, bem como de gerações futuras de autistas, que terão um Brasil melhor para se desenvolver.
Ao contrário do que muitos pensam, a inclusão não beneficia apenas crianças atípicas, as crianças a serem incluídas.  Incluir é também auxiliar uma criança dita “típica”. A sociedade não é composta apenas pelo comum, por aquele que consideramos normal. Na sociedade encontramos pessoas autistas, pessoas com Síndrome de Down, pessoas com déficit de atenção, pessoas diferentes de nós. Teremos que lidar com essas diferenças dentro do nosso trabalho e em nossa casa.  Se a escola tem o intuito de preparar as crianças para o seu futuro, faz parte desse preparo conseguir entender o diferente. Assim, digo aos pais de crianças típicas: a inclusão de minha filha autista em escola regular ajuda seu filho a se desenvolver como cidadão.
Preparar para a vida adulta não representa apenas saber fazer contas matemáticas, entender a tabela periódica, saber os principais fatos históricos. Transformar-se em cidadão é acima de tudo saber viver em sociedade e, para isso, precisamos aprender a entender o diferente. Ter crianças com “deficiência” em sala é ensinar que o diferente é normal, e mais, que o diferente é legal e pode ter muito a ensinar. Lidar com pessoas com necessidades diferentes das nossas desde a primeira infância faria de nós muito melhores e é essa oportunidade que deve ser dada a todas as crianças de nossa sociedade.
Quando o professor tiver que ensinar uma matéria e na sala houver alunos atípicos e típicos, terá o educador de procurar acrescentar a sua forma de ensinar outros recursos. O acréscimo desses recursos com toda certeza ajudará os alunos típicos, visto que tantas crianças típicas têm dificuldade de aprendizagem por falta de identificação com os métodos tradicionais de ensino encontrados na maioria das escolas do país.
Outra questão importante é que as crianças de hoje serão os pais e mães de amanhã. Se ensinadas desde pequenas a ver o diferente como normal, terão muito mais facilidade em lidar com seus filhos, sejam eles ditos típicos ou atípicos. Nós, pais de crianças autistas, com certeza teríamos tido muito mais facilidade de lidar com o TEA de nossos filhos se desde pequenos estivéssemos em contato com crianças e adolescentes autistas em nosso convívio social.
Poderíamos seguir tantas e tantas linhas falando sobre o tema. Todavia, quando se fala de inclusão, o principal é termos em mente que a lei e as pesquisas científicas apontam o caminho: inclusão escolar ajuda a criança a ser incluída, os alunos considerados atípicos e – principalmente – constrói uma sociedade mais justa e mais igualitária. Agora é hora de transformar esse direito em realidade e, para tanto, sua participação é essencial (seja você pai de crianças com deficiência, educador ou simplesmente cidadão). Escola inclusiva já!

Primeiros sinais de autismo em bebes


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Menina revela pela primeira vez como é estar por trás dos olhos de um autista

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Uma sensação de estar dentro de um corpo que você não pode controlar. Segundo Carly Fleischmann, é assim que o autismo a faz sentir. Essa foi apenas uma das revelações sobre o que passa por detrás da mente autista que Carly conseguiu revelar.
A sua história é a seguinte: durante os primeiros 11 anos de sua vida, ela vivia grande parte do tempo imersa em seu universo particular. O diagnóstico de que ela era autista foi confirmado quando tinha 2 anos de idade. Os médicos explicavam que o autismo a impossibilitaria de se comunicar e de ter uma vida normal, além de dizer para os pais da menina que ela tinha um atraso mental que a permitiria chegar somente ao desenvolvimento de uma criança de 6 anos.

No entanto, seu pai sempre soube que ela estava ali, perdida atrás daqueles olhos. Até que um dia, Carly subitamente se sentou no computador e digitou letras que formaram a palavra HURT (dor, em inglês), seguida de HELP (socorro, em inglês). Ela nunca tinha escrito nada na vida antes. Os pais de Carly então a incentivaram a se comunicar novamente. Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Alguns meses se passaram até que ela compreendesse que se quisesse ser atendida, teria que digitar seu pedido.
Quando ela chegou aos terapeutas, ansiosos por avaliar aquele comportamento raro, as primeiras coisas que digitou foi: “Eu tenho autismo, mas isso não é quem sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar.”
A partir daí, Carly começou a fazer algo inédito: revelar as explicações por trás de seu universo único. Ela começou então a explicar mistérios por trás do seu comportamento de balançar os braços violentamente, de bater a cabeça nas coisas ou de querer arrancar as roupas: “Se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu cérebro.”
Eis algumas outras revelações sobre o universo autista feitas por Carly:
 – A sensação que a obriga a agitar os braços freneticamente é de formigamento ou do braço pegando fogo;
–  Ela às vezes tapa os ouvidos e olhos para bloquear a entrada de informações em seu cérebro. É como se ela não tivesse controle e tivesse que bloquear o exterior para não ficar sobrecarregada.
– Ela diz que é muito difícil olhar para o rosto de uma pessoa. É como se tirasse milhares de fotos ao mesmo tempo, é informação demais para processar.
Mas não parou por aí: hoje ela tem twitter facebook, onde conversa com pessoas e responde diversas dúvidas sobre o autismo. Com ajuda do pai, ela escreveu um livro chamado Carly’s Voice. Ela também contribuiu com informações para a criação de um site que simula a sua experiência diária com toda a descarga sensorial que recebe em situações cotidianos, como ir a um café. 
Se gostou da história, veja também a resposta de Carly para perguntas de várias pessoas que vivem com parentes ou amigos autistas, e que tiveram a primeira chance de entender um pouco do universo deles:
– Meu filho de seis anos fica triste e chora com frequência, e eu não consigo entender o porquê. Você tem alguma sugestão de como eu posso descobrir o que está errado?
Carly: Pode ser muitas coisas. Será que ele está tomando algum medicamento? Eu tive muitas mudanças extremas de humor, como chorar e sentir raiva sem motivo, por causa da medicação. Também poderia ser algo que aconteceu mais cedo ou dias atrás e que ele está processando apenas agora.
– Alguma vez você gritou aparentemente sem motivo? Por exemplo, você parecia feliz e relaxada, mas de repente começou a gritar? Minha filha faz isso às vezes e eu estou tentando descobrir o porquê.
Eu amo esta pergunta. Ela está fazendo uma filtragem dos sons e quebrando os ruídos e conversas que tem ouvido ao longo do dia. [O cérebro dos autistas funciona de maneira diferente e se sobrecarrega com estímulos externos, como sons, luzes, imagens e cheiros. Gritar, tapar os ouvidos, fazer ruídos ou movimentos repetitivos, segundo Carly, são uma forma de bloquear esses estímulos e se concentrar em apenas um]. Além dos gritos, você pode nos ver chorando ou rindo, tendo convulsões e até manifestando raiva. É a nossa reação ao, finalmente, entender as coisas que foram ditas e feitas no último minuto, dia ou até mês passado. Sua filha está bem.
– Será que você poderia me dizer por que meu filho de quatro anos de idade (que tem autismo) grita no carro cada vez que paramos em um semáforo. Ele está bem e feliz enquanto o carro se move, mas, uma vez que paramos, ele grita e faz uma birra incontrolável.
Eu amo longas viagens de carro, elas são uma ótima forma de estímulo sem você precisar fazer nada. O movimento do carro e cenário visual passando por ele permite que você bloqueie qualquer outra entrada sensorial e se concentre em apenas uma. Meu conselho é colocar uma cadeira de massagem no banco do carro. Assim, quando ele parar, seu filho ainda estará sentindo o movimento. Você pode também colocar um DVD mostrando um cenário em movimento.
– Você pode descrever como se sente por dentro? Você acha que é diferente de crianças que não têm autismo?
O problema é que eu não sei o que as outras crianças sem autismo estão sentindo. Eu tenho lutas comigo todos os dias, desde que acordo até a hora de ir dormir. Não posso nem ir ao banheiro sem dizer a mim mesma para não pegar o sabonete e cheirá-lo ou sem lutar comigo mesma para não esvaziar todos os frascos de xampu.
– Existem coisas que você considera mais desafiadoras, como abotoar sua roupa ou cortar a comida com uma faca? Por que você acha que não pode fazer esse tipo de coisa? O que acha que poderíamos fazer para ajudar?
Algumas coisas eu acho que posso fazer, mas é preciso muita concentração para isso. Ficar sentada e digitar é algo muito avassalador para mim – eu preciso fazer pausas e dizer a mim mesma para fazê-lo. Eu não acho que as pessoas realmente sabem como é difícil. Parece tão fácil para todo mundo, mas é como falar três línguas ao mesmo tempo.

FONTE: hypeness.com.br

Estado não pode negar monitor especial a criança autista em sala de aula

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Criança com autismo deve ser acompanhada de um monitor na sala de aula, se necessário, para poder usufruir do direito à educação assegurado pela Constituição e regulamentado pela legislação de proteção à infância. Assim entendeu a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul ao determinar que o estado disponibilize monitor especial para acompanhar as aulas de um menino autista na comarca de Bento Gonçalves, na Serra gaúcha.
O pedido liminar, feito pelos pais do menor, havia sido negado pelo juízo de origem. Já o relator do caso no TJ-RS, desembargador Jorge Luís Dall’Agnol, considerou inquestionável o direito de crianças e adolescentes à educação e à saúde, como dispõe o artigo 208, inciso IV, da Constituição.  Ele também citou o artigo 54, inciso III, e parágrafo 2º, do Estatuto da Criança e do Adolescente, que obriga o atendimento do ensino especializado à criança com deficiência.
Além disso, o artigo 4º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996) estabelece o dever do estado com a educação escolar pública, mediante atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais. E o parágrafo 4º do artigo 5º fixa punição, por crime de responsabilidade, da autoridade que negligenciar o cumprimento de tal direito.
Na mesma linha, o desembargador citou o artigo 58 da LDB: “entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação”.
No voto, o relator registrou a manifestação da ministra Carmem Lúcia, do STF, ao julgar caso em setembro de 2008 (AI 684829/SP). O aresto, no ponto: ‘‘A educação compõe o mínimo existencial, de atendimento estritamente obrigatório pelo Poder Público, dele não podendo se eximir qualquer das entidades que exercem as funções estatais. O mínimo existencial afirma o conjunto de direitos fundamentais sem os quais a dignidade da pessoa humana é confiscada”, afirmou a ministra na ocasião.
Clique aqui para ler o acórdão.

FONTE: conjur.com.br