O trabalho com os bebês é permeado por
preconceitos e mal-entendidos e por isso, por vezes, subestimado. É comum
observarmos falas, mesmo entre profissionais da área da educação, que
desvalorizam o trabalho no berçário. Tais quais:“Não estudei para trocar fralda.”,
“Não quero trabalhar com berçário, eu gosto de dar aula!”
Tais comentários revelam a ausência de
compreensão do trabalho com bebês, quem são, o que aprendem e como aprendem!
A primeira atitude para romper com o preconceito à faixa etária é conhecendo as características da mesma.
A primeira atitude para romper com o preconceito à faixa etária é conhecendo as características da mesma.
Sabemos que desde o nascimento, o bebê
aprende, primeiro com a mãe, as pessoas mais próximas e o ambiente. Essas
primeiras interações vão compondo seu repertório cognitivo, social e afetivo.
Eles não chegam a escola sem “saber nada”, eles chegam sabendo muita coisa.
Cabe ao professore organizar situações de aprendizagem em que esse repertório
seja revelado e ampliado.
O primeiro instrumento de aprendizagem
da criança é o corpo: cores, sabores, aromas, sons e sensações compõem o ponto
de partida para todas as aprendizagens futuras e para o desenvolvimento total
do indivíduo. Como esse corpo encontra os estímulos que lhe permitirão se
desenvolver plenamente? Por meio do movimento!
Pegar, apertar, morder, esfregar,
rolar, sentar, engatinhar, levantar-se, escalar, andar, correr pisar, fazem
parte da maneira como os bebês aprendem, agindo sobre o objeto de conhecimento,
isto é, o ambiente e o outro.
Um ambiente acolhedor, seguro e
convidativo à exploração, preparado intencionalmente para receber os bebês é
parte fundamental do trabalho com a faixa etária. Chão, teto, paredes são como
telas em branco a serem “coloridas” pelo professor de berçário. Toda a sala de
aula pode e deve ser um convite à descoberta.
Para o teto pode-se
criar uma infinidade de móbiles, com texturas, cores, formas, aromas, e sons
diversos. Os móbiles atendem tanto a necessidade dos pequenos que ainda não se
locomovem, pois é um convite ao toque, como aos que engatinham ou andam.
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Parque sonoro |
O chão é o palco dos bebês engatinhantes e rolantes, que estão adquirindo autonomia no processo de locomoção.
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Tapete sensorial |
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Proposta com plástico bolha |
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Tapete sensorial com plástico e tinta |
Tendo em vista as características dessa
faixa etária não há necessidade de muito mobiliário na sala, atividades de
pintura por exemplo podem ser feitas também com apoio do chão e paredes. Os
suportes de pintura podem ser os mais variados: papel, papelão, plástico,
azulejo, lixa. Não precisa se limitar as tintas do mercado, há uma porção de
receitas de tintas caseiras a serem exploradas na internet, além disso, pode
ser utilizado o carvão, cubos de gelo com anilina, gelatinas. As possibilidades
são infinitas!
A organização do espaço deve ser
pensada de maneira flexível e reformulada periodicamente sempre que as
possibilidades exploratórias se esgotarem.
Além do ambiente, as interações sociais
são de grande importância para a aprendizagem da criança pequena. É no
intercambio de afetos que ela se percebe um ser único. Dando início à
construção de sua identidade.
Entende-se por afetividade, a capacidade que o indivíduo tem de afetar positivamente ou negativamente o outro, por tanto, no trabalho com bebês a afetividade é primordial, nossas ações devem estar pautadas de intencionalidade e reflexão constantes.
Entende-se por afetividade, a capacidade que o indivíduo tem de afetar positivamente ou negativamente o outro, por tanto, no trabalho com bebês a afetividade é primordial, nossas ações devem estar pautadas de intencionalidade e reflexão constantes.
Todos os momentos da rotina com os
pequeninos devem estar permeados de intencionalidade. Os bebês aprendem
enquanto são cuidados, numa troca de fraldas, por exemplo, eles aprendem sobre
o que seu corpo é capaz de produzir (conhecimento de si), estreitam laços com o
educador que o troca (conhecimento do outro), entendem que toda vez que estiver
sujo, alguém vem limpá-lo, internaliza a necessidade de estar limpo e que isso
é bom para ele e para o outro que o limpou.
Os momentos de alimentação são palco
privilegiado de exploração de cores, sabores, texturas e temperaturas, além de
ser uma aprendizagem social riquíssima! Tudo é aprendizagem, o cuidar e educar
são indissociáveis!
Sendo assim, é necessário conhecimento
teórico e técnico para preparar situações intencionais de
aprendizagem condizentes com a faixa etária e características do
grupo, bem como para avaliar essas situações e interferir de maneira
eficaz quando necessário. Logo, o trabalho com os bebês é extremamente
importante, desafiador e gratificante.
FONTE: ideiacriativa.org
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