domingo, 6 de março de 2016

Sinais de Autismo nas crianças


Como estimular o brincar em crianças com TEA?

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A brincadeira é a forma como as crianças descobrem o mundo, aprendem a se comunicar, desenvolvem relações sociais, estimulam a inteligência e a criatividade e aprimoram a coordenação motora.
A criança dentro do espectro autista utiliza geralmente um repertório pequeno de brincadeiras, prefere brincar sozinha e apresenta pouco interesse em brincadeiras simbólicas (imaginativas).
É possível – e necessário – estimular a ampliação dos interesses dessa criança e, por isso, trouxemos aqui algumas ideias!
·         Ofereça brinquedos que permitam a estimulação e o desenvolvimento de áreas múltiplas. 
·         Evite coleções ou o acúmulo de brinquedos repetidos, pois eles perdem sua função. Por exemplo: é preferível ter 3 carrinhos bacanas e um posto de combustível do que ter mais de 100 carrinhos em uma coleção (que certamente serão enfileirados).
·         Ensine a criança a brincar de formas diferentes com o mesmo brinquedo. Aproveitando a proposta dos carrinhos, faça ruas colocando fita crepe no chão e monte comércios variados com blocos de montar ou sucata.
·         Estimule a comunicação da criança durante a brincadeira: faça o som da ambulância, da buzina, do choro do bebê, por exemplo, e peça que ela imite.
·         Exagere nas expressões, empolgue-se com a brincadeira. Você precisará despertar o interesse e a curiosidade da criança sempre que mudar o repertório.
·         Explore jogos que precisam de mais de uma pessoa e ensinam estratégias, memorização, esperar a vez… como pula pirata, dominó, memória, etc.
·         Separe os brinquedos em pequenos grupos, por classificação. Evite aquele grande baú onde se guarda tudo, pois nada parecerá interessante.
·         Ensine o faz de conta! Você pode preparar comidinhas de uma festa de aniversário usando massinhas ou fazer uma lanchonete com as plantas do jardim, por exemplo.
·         Brincadeiras que envolvem música ou repetições são sempre boas pedidas! Alguns exemplos: adoleta, voa ou não voa, estátua, dança da cadeira, cabeça/ombro/joelho/pé e outras brincadeiras de roda.
·         Aproveite as peças de um jogo para criar novos jogos! O baralho pode virar um castelo, o dominó pode ser enfileirado e fazer o efeito cascata, cordas e bambolês podem virar um circuito, um balde pode ser um cesto, o giz pode desenhar a amarelinha no chão ou o alvo na parede… São infinitas possibilidades!
·         Sempre que possível, utilize espaços abertos para brincar. Explorar uma caixa de areia, subir em árvores, jogar bola, procurar insetos no quintal, etc.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Professor reserva 10 minutos de aula para elogiar e estimular alunos

Longe da lista de chamada ou de um novo conteúdo a ser apresentado aos alunos, professor decidiu começar as próprias aulas de forma distinta: elogiando e estimulando os estudantes.
Um dos professor da escola Mainspring Academy, na cidade de Jacksonville, Flórida, o norte-americano Chris Ulmer decidiu começar as próprias aulas de forma distinta. Longe da lista de chamada ou de um novo conteúdo a ser apresentado aos alunos, Ulmer reserva os 10 minutos iniciais da aula para elogiar e estimular os estudantes.
Eu gosto de ter você na minha classe. Eu acho que você é muito engraçado. Você é um grande jogador de futebol. Todos aqui amam você“, diz o professor em determinado momento do vídeo a um dos oito garotos com necessidades especiais que são atendidos pela escola.
Com a autorização dos pais das crianças, diariamente Ulmer publica em uma página no Facebook o vídeo da conversa com os alunos. O objetivo do professor é estimular o sentimento aceitação não apenas por parte dos alunos, mas de outros estudantes, membros da escola e pelas próprias famílias dos garotos.
Todos eles vieram de um ambiente de segregação. Agora eles estão participando de atividades escolares, interagindo na frente de centenas de outras crianças“, disse o professor em entrevista ao site da rede ABC. Além dos vídeos, no Facebook o professor disponibiliza grande parte dos trabalhos, músicas e apresentações dos alunos.
Clique e confira: 

Seu filho tem autismo? Ajude-o a ter vida social!

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Já falamos sobre o prazer e a necessidade que os autistas têm de ficar sozinhos em alguns momentos. Privá-los de situações onde há muitas pessoas (como festas de aniversário ou shoppings, por exemplo) são como dar-lhes um grande presente.
Em contrapartida, é necessário dosar esse isolamento, eles precisam de vida social. E irão precisar da nossa ajuda para conseguir isso.

Por medo, insegurança, por causa dos julgamentos, ou por vários outros motivos, muitos autistas não saem de dentro de casa. Quanto mais o tempo passa, quanto mais habituados eles estão a isso, mais difícil se torna reverter essa condição. Por isso é tão importante nós pais darmos a eles oportunidades de desenvolver as habilidades sociais enquanto ainda estão novinhos. Aqui vão algumas ideias de como a família pode ajudar!
·         Leve-o a pequenos passeios. Evite lugares tumultuados e passeios demorados, mas saia de casa. Comece devagar, vá até o portão de casa, dê uma volta na quadra, mostre o que tem à sua volta (insetos, pássaros, aviões, ônibus, casas, pessoas, etc).
·         Visite os familiares. Não precisa fazer isso no domingo, quando toda a família se reúne. Mas ir à casa dos avós ou algum priminho que more perto pode fazer muita diferença. Leve algum brinquedo que a criança goste, para que não fique ociosa e goste do passeio.
·         Algumas pessoas deixam de conversar com a criança ou até de cumprimentá-la, por ela não responder ou parecer estar alheia. Isso é errado, a criança precisa ser solicitada, precisa perceber que existem pessoas ao seu redor que irão interagir com ela. Explique isso às pessoas de seu convívio.
·         O mesmo pode acontecer em brincadeiras. Já ouvi muito “Ele gosta de brincar sozinho“. Sim, ele gosta. Mas precisamos oferecer-lhe oportunidades de brincar no grupo, ensinar-lhe como brincar.
·         Procure crianças que tenham os mesmos interesses. Conversando com outras mães, você pode descobrir amiguinhos que também sejam apaixonados por carrinhos, cavalos, letrinhas…
·         Use livros de histórias ou até imagens de revistas para mostrar situações do dia a dia,  conversas entre pessoas, brincadeiras em grupo, etc.
·         Treine expressões faciais (triste, feliz, assustado…) com a criança. Faça caretas em frente ao espelho e peça que a criança imite. Incentive-a a expressar seus sentimentos, ensinando-a como fazer.
·          Ensine brincadeiras em que ela tenha que esperar sua vez. Bola ao cesto, jogo da memória, dominó, amarelinha…
·         Treine diálogos utilizando bonecos ou fantoches, para que a criança aprenda como reagir nas situações e crie repertório para conversas.
·         Saiba perceber quando seu filho começa a se incomodar em alguma situação. Quando ele der os primeiros sinais, tire-o imediatamente da situação, para que não gere traumas.


Se eu pudesse resumir em uma grande dica, seria PROPORCIONE VIVÊNCIAS! Pequenos passeios que podem ir gradualmente aumentando conforme a criança se sinta confortável. Convivência com pessoas que ela goste. Brincadeiras em pequenos grupos. Novas amizades. Vivências que a farão desenvolver suas habilidades sociais e, com certeza, ter um futuro mais harmonioso.

O PROBLEMA DA DISLEXIA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Dislexia: Definição, Sinais e Avaliação

Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 05% e 17% da população mundial é disléxica. Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico. Por esses múltiplos fatores é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar. Esse tipo de avaliação dá condições de um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais concretos.

Sinais de Alerta

Como a dislexia é genética e hereditária, se a criança possuir pais ou outros parentes disléxicos, quanto mais cedo for realizado o diagnóstico melhor para os pais, à escola e à própria criança. A criança poderá passar pelo processo de avaliação realizada por uma equipe multidisciplinar especializada (vide adiante), mas se não houver passado pelo processo de alfabetização o diagnóstico será apenas de uma “criança de risco”.

Hverá sempre: *dificuldades com a linguagem e escrita; *dificuldades em escrever; *dificuldades com a ortografia; *lentidão na aprendizagem da leitura;

Haverá muitas vezes : *disgrafia (letra feia); *discalculia, dificuldade com a matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de decorar tabuada; *dificuldades com a memória de curto prazo e com a organização; *dificuldades em seguir indicações de caminhos e em executar seqüências de tarefas complexas; *dificuldades para compreender textos escritos; *dificuldades em aprender uma segunda língua.

Haverá às vezes: *dificuldades com a linguagem falada; *dificuldade com a percepção espacial; *confusão entre direita e esquerda.

Pré-Escola

Fique alerta se a criança apresentar alguns desses sintomas: Dispersão; Fraco desenvolvimento da atenção; Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem; Dificuldade em aprender rimas e canções; Fraco desenvolvimento da coordenação motora; Dificuldade com quebra cabeça; Falta de interesse por livros impressos; O fato de apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja disléxica; há outros fatores a serem observados. Porém, com certeza, estaremos diante de um quadro que pede uma maior atenção e/ou estimulação.

Idade Escolar
Nesta fase, se a criança continua apresentando alguns ou vários dos sintomas a seguir, é necessário um diagnóstico e acompanhamento adequado, para que possa prosseguir seus estudos junto com os demais colegas e tenha menos prejuízo emocional: Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita; Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras); Desatenção e dispersão; Dificuldade em copiar de livros e da lousa; Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura) e/ou grossa (ginástica,dança,etc.); Desorganização geral: podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares e perda de materiais escolares; Confusão entre esquerda e direita; Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc… Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas; Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc… Dificuldades em decorar seqüências, como meses do ano, alfabeto, tabuada, etc.. Dificuldade na matemática e desenho geométrico; Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomias) Troca de letras na escrita; Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua; Problemas de conduta como: depressão, timidez excessiva ou o “palhaço da turma”; Bom desempenho em provas orais. Se nessa fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais e conseqüentemente sociais e profissionais.

Adultos

Se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar, o adulto disléxico ainda apresentará dificuldades: Continuada dificuldade na leitura e escrita; Memória imediata prejudicada; Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua; Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia); Dificuldade com direita e esquerda; Dificuldade em organização; Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência: depressão, ansiedade, baixa auto estima e algumas vezes o ingresso para as drogas e o álcool.

DIAGNÓSTICO

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. E não pára por aí, os mesmos sintomas podem indicar outras situações, como lesões, síndromes e etc. Então, como diagnosticar a dislexia? Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve se procurar ajuda especializada. Uma equipe multidisciplinar, formada por Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso. A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia. É o que chamamos de AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR e de EXCLUSÃO. Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia). Neste processo ainda é muito importante tomar o parecer da escola, dos pais e levantar o histórico familiar e de evolução do paciente. Essa avaliação não só identifica as causas das dificuldades apresentadas, assim como permite um encaminhamento adequado a cada caso, por meio de um relatório por escrito.

Depois de Diagnosticada a Dislexia

Sendo diagnosticada a dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante às particularidades de cada caso, o que permite que este seja mais eficaz e mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um tempo para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes. Conhecendo as causas das dificuldades, o potencial e as individualidades do indivíduo, o profissional pode utilizar a linha que achar mais conveniente. Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva. Ao contrário do que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades, encontrando seu caminho. Ele responde bem a situações que possam ser associadas a vivências concretas e aos múltiplos sentidos. O disléxico também tem sua própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre profissional e paciente. Outro passo importante a ser dado é definir um programa em etapas e somente passar para a seguinte após confirmar que a anterior foi devidamente absorvida, sempre retomando as etapas anteriores. É o que chamamos de sistema MULTISSENSORIAL e CUMULATIVO. Também é de extrema importância haver uma boa troca de informações, experiências e até sintonia dos procedimentos executados, entre profissional, escola e família.

Dificuldades na Leitura e na Ortografia.

Atualmente, entende-se por dislexia o distúrbio isolado do aprendizado da leitura e da escrita em crianças com uma inteligência normal. Cerca de 3% a 8%  das crianças são portadoras desse distúrbio. Pais  e professores são chamados a procurar ajuda eficaz. Veja  alguns pontos de vista para melhor compreensão e atenuação desses distúrbios.

Aprender a grafia das letras exige da criança a capacidade e a prontidão para decifrar fonemas isolados a partir das palavras que ela conhece como todo, ou seja, fragmentos da palavra. Em vez de captar seu sentido pela audição, ela deve prestar atenção somente numa parte do som da palavra. Ao mesmo tempo, exige-se ainda uma segunda abstração: acreditar que um sinal gráfico não-figurativo seja o próprio som.

Esses sinais abstratos, constituídos de retas e curvas, só adquirem sentido devido a uma posição bem determinada em relação a nós mesmos. Nós nem sequer conseguimos pronunciá-las sem juntar-lhes uma vogal. Fazer surgir palavras a partir dessas coisas imprecisas é, realmente, uma “arte enigmática”. Por que não escrevemos a palavra “papel”  com “u” no fim, e por que ouvimos “toque” e escrevemos “toque”? Quando pronunciamos o “q” sozinho, tampouco ele é escrito com um “u” depois.

Essas indicações podem apontar algumas das causas que provocam inseguranças e distúrbios. Crianças que ainda reconhecem um sinal como uma imagem terão dificuldade; e também aquelas que tomam as afirmações do professor ao pé da letra, principalmente quando este lhe diz: ” escreva como você ouve e fala”  e elas acreditam fielmente nisso. Isto já mostra que, para fazermos jus à criança, o processo da aprendizagem da escrita e da leitura deve ocorrer num período de tempo bem amplo. Mas também aparece o desejo de que o professor seja realmente um entendido em escrita, no sentido de conhecer as armadilhas para os disléxicos, e assim estruturar o processo de escrever em etapas seguras, pesquisadas pela análise fonética.

Podemos notar que algumas crianças aprendem a ler e escrever quase por si mesmas, e elaboram todas as exceções às regras brincando. Elas dão a impressão de estarem apenas recordando como se escreve. Para outras, ao contrário, parece que o mundo desaba, pois até então elas aparentemente não tinham qualquer dificuldade de orientação, ou muito pouca, e facilmente, participavam de tudo, enquanto agora subitamente lhes é exigido algo que elas não compreendem. Por algum tempo, elas ainda escrevem seguindo leis que os especialistas de dislexia identificam como tentativas de ouvir muito bem: mais tarde aparecem erros cada vez mais pronunciados na estrutura da palavra escrita, o que lhes permite reconhecer a resignação crescente da criança. Nessa época, muitas vezes se manifestam sintomas vegetativos, como: palidez, predisposição a doenças, cansaço, fraqueza, distúrbios do sono, dores de barriga, enurese e agressividade. Encontram-se até mesmo doenças orgânicas graves no rol das crianças não reconhecidas como disléxicas e que vem para tratamento médico. Especialmente nessas crianças com doenças orgânicas, facilmente se deixa considerar como causa ou como fator de piora um distúrbio de escrita. Mas também os sintomas vegetativos e psíquicos indicam claramente que agora a situação adquire valor de doença. É importante que na presença de todos esses sintomas também se pense numa dislexia, fazendo os testes correspondentes.

Naturalmente, não é suficiente apoiar-se apenas nas trocas entre ‘b’ e ‘d’ ou ‘p’ e ‘q’. Mais difícil é avaliar as outras falhas do desempenho do aluno surgidas nesse meio tempo, quanto à sua origem. Aqui se faz necessário um diagnóstico minucioso, seguido de um trabalho de estímulo individual.

Devem-se analisar detalhadamente os erros da escrita da criança, e também sua capacidade global de orientação, o domínio corporal, a percepção estrutural, a capacidade de compreender o que é dito e a capacidade de falar. A terapia é planejada individualmente, de acordo com cada situação. Logo que a criança percebe progressos e os primeiros resultados da terapia se manifestam, sua confiança aumenta e os sintomas vegetativos cedem rapidamente.

Para o êxito do ensino da escrita e da leitura, é preciso estimular por períodos longos; quando o problema é constatado precocemente e a criança recebe atendimento integral, deve-se contar com um a dois anos, caso contrário o tempo geralmente será maior. Em casos graves, recomenda-se procurar uma instituição especializada na terapia da dislexia. O tratamento pode ser complementado com uma terapia de integração sensório-motora e/ou com eurritmia curativa, para melhorar as condições de êxito do tratamento. Em todos os casos, é preciso haver estreita cooperação entre o terapeuta, professores e pais.

Crianças pequenas que parecem apresentar retardo no desenvolvimento da fala, podem ser estimuladas quanto à sua atividade sensorial e à formação de sua memória. Esses estímulos dão suporte à necessária metamorfose das forças de crescimento em forças de pensamento, a precondição para qualquer atividade mental, que ocorre de forma irregular na dislexia. Para crianças com distúrbios de orientação espacial, temporal e de consciência, recomenda-se medidas que possam ser executadas por um professor ou terapeuta no contexto escolar, nos primeiros anos escolares, tais como:

– exercícios de percepção;

– seguir o trajeto de formas e suas imagens espelhadas no chão;

– desenhar formas com o pé (prender o giz entre os dedos do pé e desenhar sobre o papel de embulho claro – melhor ainda, com de giz de cera grosso);

– desenhar no ar a forma com a mão, tendo os olhos fechados;

– no dia seguinte, desenhar a forma de memória no papel, depois de todo o processo ter sido rememorado e repetido concretamente com a criança;

– repetir todos os passos, tendo como modelo as formas das letras;

– fazer exercícios progressivos em que o aluno escreva o que ouviu, começando com sílabas simples. Passar de maneira lúdica mas sistemática para palavras de várias sílabas, cuja grafia seja fonética, e somente mais tarde para palavras que só possam ser escritas corretamente obedecendo a certas regras;

– Posteriormente, fazer com regularidade ditados breves com palavras de grafia fonética, que acarrretem o mínimo de experiências de fracasso;

– tratamento com eurritmia curativa. (arte do movimento desenvolvida por Rudolf Steiner entre os anos de 1911 e 1924, em que os elementos da linguagem e da música tornam-se visíveis em formas dinâmicas e específicas. Seu fundamento é a compreensão exata das diferentes qualidades da linguagem, dos fonemas e tons.)

Quando se lida com crianças disléxicas, deve-se irradiar alegria e otimismo. Muitas vezes, os problemas presentes ainda pioram porque as crianças sofrem com as situações de fracasso, sem receber apoio suficiente, ou até vendo adultos resignados.

Referência bibliográfica:


GOEBEL, Wolfgang; GLÖCKLER, Michaela. Consultório Pediátrico. São Paulo: Antroposófica, 2003.